Economia
Capital de giro do BNDES tem grande procura
Os pedidos para o Programa de Geração de Produção e Emprego (Progepem) somam R$ 179 milhões em apenas dois dias, segundo informações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O saldo foi divulgado em entrevista à imprensa pelo corpo técnico do BNDES para defender a instituição após as críticas do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e do presidente Lula à demora na avaliação de projetos para investimentos de empresas. O superintendente da área de Planejamento, Maurício Piccinini, estima que o tempo gasto para avaliar os projetos seja menor do que o despendido em outras operações. ?O nível de informação exigido é menor, mas é necessário verificar se a medida vai gerar emprego?, disse. De acordo com o BNDES, o prazo total entre enquadramento (apresentação do projeto), análise e contratação é de 150 dias para operações diretas e indiretas. O banco fornece às empresas um prazo adicional de 60 dias para detalhamento de características do projeto, caso elas não estejam incluídas na primeira etapa. O Progepem vai disponibilizar R$ 2,5 bilhões para os setores da economia que estejam com a capacidade ociosa e precisem de capital de giro para o aumento da produção. As grandes empresas contarão com uma linha de empréstimo emergencial de R$ 1,2 bilhão. As micro, pequenas e médias empresas ficarão com R$ 1,3 bilhão restantes. Os recursos terão até 24 meses de prazo, com 12 meses de carência. A carta circular que detalha o funcionamento do programa para os agentes do mercado será liberada na segunda-feira. Até agora, o banco já recebeu pedidos de financiamento no Progepem dos setores agrícola (R$ 56 milhões), ferroviário (R$ 50 milhões), farmacêutico (R$ 30 milhões), calçadista (R$ 35 milhões) e petroquímico (R$ 8 milhões). Depois das críticas do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e do presidente Lula à morosidade no desembolso de recursos para investimentos, o corpo técnico do BNDES convocou a imprensa para defender a instituição. Em um seminário, representantes das principais áreas do banco apresentaram prazos e procedimentos peculiares a cada modalidade de crédito e defenderam a atual administração do banco. ?A gente se sente integrado com o governo federal, há um esforço para cumprir as determinações do BNDES e do governo?, afirmou o superintendente da área de Planejamento, Maurício Piccinini. Ontem, o presidente do BNDES, Carlos Lessa, rebateu as críticas do ministro do Desenvolvimento aos prazos para avaliação de projetos. ?Nós não operamos como uma padaria. Nós trabalhamos com grandes operações?, disse. De acordo com o BNDES, o prazo total entre enquadramento (apresentação do projeto), análise e contratação é de 150 dias. O banco fornece às empresas um prazo adicional de 60 dias para detalhamento de características do projeto, caso elas não estejam incluídas na primeira etapa. De janeiro a julho, o BNDES desembolsou R$ 22,722 bilhões em 93.538 operações. Durante todo o ano passado, o banco desembolsou R$ 35,225 bilhões em 116.229 operações. Os números preliminares de janeiro a agosto para o desembolso com micro, pequenas e médias empresas foi de R$ 7,4 bilhões, 27% superior ao mesmo período do ano passado. ?Não existe burocracia, mas um número mínimo de informações para entender qual é o pedido de cada empresa?, afirmou Piccinini. Os prazos para cada operação foram determinados em março e definidos como parte da política operacional do banco. Segundo o superintendente da área industrial, José Oswaldo Barros de Souza, o prazo de 150 dias é necessário para que os impactos de um projeto sejam avaliados. ?Não avaliamos somente o investimento da própria indústria, mas as demandas adicionais de matérias-primas e de fornecedores de bens de capital?, disse.