Economia
Nova Sudene ter� estrutura mais moderna
PATRYCIA MONTEIRO Com o argumento de que não tinha cumprido seu papel histórico ? o de acabar com as desigualdades econômicas existentes entre as regiões do país ? e de ser um foco de corrupção com dinheiro público, em maio de 2001, Fernando Henrique Cardoso extinguiu a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no auge dos seus 43 anos de existência. Na região, o sentimento de vazio deixado com fim da instituição que já teve dois mil funcionários deu lugar ao da esperança quando, nas propostas de campanha, o então candidato Lula da Silva anunciou seu projeto de recriação. De lá para cá, a indisposição dos governadores em torno do Renascimento da Sudene, tendo em vista suas pretensões de que os estados recebessem os recursos do futuro Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FDR), fez com que o projeto caísse um pouco no descrédito. Entretando, com a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados no dia 11 de agosto, as chances de recriação da Sudene ficaram maiores. ?Até a matéria ser apreciada pelos deputados levou um ano. Agora que depende da aprovação do Senado, acredito que em quatro meses teremos o parecer favorável?, diz Zenóbio Vasconcelos, diretor geral da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene). Daí para frente, a nova Sudene ? como prefere chamar o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, só precisará contar com aprovação do FDR previsto na Reforma Tributária. De acordo com Vasconcelos, a Sudene recriada até vai estar instalada no mesmo prédio de antes, situado próximo à cidade universitária no Recife. Mas as dimensões administrativas da instituição serão muito menores. ?No passado, a Sudene precisava de uma grande estrutura de trabalho. Nos tempos atuais esta não será uma prerrogativa. No máximo teremos 300 funcionários e 200 técnicos na equipe. Outra diferença apontada por Zenóbio Vasconcelos é que os recursos repassados pela nova Sudene não seguirá o mesmo modelo que o extinto Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), que ainda financiará projetos aprovados até 2013 com repasse do Ministério da Integração. ?Ao repassar os investimentos do Finor, era como se a Sudene se tornasse sócia no projeto financiado. Na nova Sudene, o repasse de recursos terá outra condução?, afirma o diretor-geral. Segundo o economista nascido em Alagoas, haverá dois fundos de investimento vinculados à nova Sudene: um voltado para aplicação de recursos na infra-estrutura dos estados e outro voltado para a iniciativa privada. ?A vantagem para as empresas é que será possível fazer empréstimos, com taxas de juros básicas de até 3% ao mês, para levantar capital para projetos de grande porte?, esclarece. Os pequenos negócios também terão vez na nova Sudene, mas desde que façam parte de algum Arranjo Produtivo Local, ou seja, que estejam em sintonia com alguma vocação verificada na região onde estão situados. Para Zenóbio Vasconcelos, a visão dos governadores que gostariam de receber diretamente o FDR é um tanto equivocada. ?Para um Estado pequeno como Alagoas seria uma desvantagem, pois se tivesse que receber recursos tendo como base a arrecadação tributária, ficaria com a menor fatia dos recursos. Unidos, os estados têm mais a ganhar?, assegura.