Economia
Salgema era esperan�a de industrializa��o
CRISTINA LIMEIRA Em Alagoas, embora a presença da Sudene não possa ser medida em termos numéricos, o Estado teve inúmeros projetos incentivados pelo Finor. O principal deles, segundo o representante local da Sudene, Teodorico de Almeida Rocha foi o que deu origem à Salgema Indústrias Químicas S/A. Aprovado em janeiro de 1967, o projeto, apresentado pela Petroquisa, previa a construção de uma fábrica de cloro/soda com capacidade de produção de 220 mil toneladas/ano de cloro e de 250 mil toneladas/ano de soda cáustica, por meio do aproveitamento de uma extensa mina de sal-gema, situada sob a cidade de Maceió, a uma profundidade média de 1.000m. Criada com o objetivo de diversificar o perfil industrial do Estado, a fábrica entrou em operação em fevereiro de 1977, com um suprimento de energia feito diretamente pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) em 230 kv, e contando com terminal marítimo próprio e um emissário submarino de cerca de quatro quilômetros de extensão para lançamento de efluentes. A proposta na época era que uma vez instalada a espinha dorsal do setor plástico ao seu redor se desenvolvessem as empresas de transformação afins em função da matéria-prima fornecida pela indústria química. De olho no mercado promissor a indústria química ampliou suas atividades em 1979, passando a contar com uma unidade produtora de dicloretano, com capacidade de produção para 300 mil t/a, consumindo eteno proveniente do Pólo Petroquímico de Camaçari (BA). Em 79, o faturamento bruto da Salgema atingiu Cr$ 1.693 milhões. Em 80 o faturamento subiu para Cr$ 5.323 milhões, um incremento de 214,4% em relação ao exercício anterior. Com os negócios de vento em popa, em 1981, a indústria deu início à operação de uma moderna unidade produtora de eteno a partir do álcool, com capacidade de produção de 60 mil t/a. Para atender à demanda de soda cáustica dos grandes projetos de alumínio em implantação nas regiões Norte/Nordeste, e à demanda de cloro dos empreendimentos que deveriam compor o Complexo Químico de Alagoas (CQA), a Salgema ampliou sua fábrica de cloro/soda, elevando sua capacidade de produção para 440 mil t/a de cloro e 500 mil t/a de soda cáustica. No entanto, durante os quase 30 anos que se seguiram à implantação da então Salgema, o Estado de Alagoas permaneceu como no século XVIII; dependente da monocultura da cana-de-açúcar, defendendo interesses oligárquicos. As chamadas indústrias de transformação afins nunca chegaram. Estrategicamente, a Salgema passou a se dedicar a exportar a matéria-prima que um dia se sonhou ser transformada em bens de consumo no Estado, levando para além das fronteiras alagoanas os empregos que poderiam ser gerados aqui. Em novembro do mesmo ano, o Conselho de Administração da Petroquisa aprovou sua associação à Nordeste Química S/A (Norquisa) no projeto de produção de clorobensenos e seus derivados, marcando a entrada da Petroquisa na atividade de fomento à produção de especialidades químicas ? química fina. Seguindo orientação governamental, no sentido de reduzir a participação direta do Estado na economia, a Petroquisa promoveu gestões para a privatização da Salgema, concluída em novembro de 1981, levando o nome de Trikem S/A, e hoje denominada Braskem S/A criada em 2002 e controlada pelos grupos Odebrecht-Mariani. Resgate Hoje, quase três décadas depois, o governo voltou a depositar na química as esperanças do desenvolvimento industrial do Estado. Após atestar a viabilidade econômica de uma cadeia produtiva do plástico, com aporte da Braskem, o governo propôs a criação de um Arranjo Produtivo Local (APL) do setor químico e de plástico. O objetivo é formar toda a cadeia produtiva do plástico. Para seduzir as indústrias de 2ª e 3ª gerações a se instalarem no Estado, o governo usa como argumento a proximidade da fornecedora da matéria-prima, a localização geográfica de Alagoas, que reduz o frete para outros estados do Norte e do Nordeste, além da existência do Porto de Maceió.