Economia
Ind�strias crescem e planejam contrata��es
PATRYCIA MONTEIRO Com energia fornecida pela Chesf, a Braskem foi uma das indústrias do Estado que aumentaram seu consumo de energia. O incremento foi de 4% no período de janeiro a agosto deste ano, em relação ao consumo do ano passado. Graças ao crescimento da economia nacional, com diminuição do desemprego, elevação da renda e o conseqüente aumento no consumo de produtos, cresceu a demanda pela matéria-prima da indústria cloroquímica e, com ela, os preços foram elevados. ?De janeiro a agosto, o preço dos insumos da indústria do plástico cresceu 60%?, informa Wander Lôbo Araújo, presidente do Sindicato das Indústrias de Plásticos e Tintas do Estado de Alagoas. De vento em popa, a Braskem não tem do que reclamar. O crescimento do consumo no país fez com que empresas como a Tigre, fabricante de tubos e conexões de PVC, e até fabricantes de calçados como a Grendene, alguns de seus clientes famosos, aumentassem os pedidos de termoplásticos, por exemplo. ?Estamos investindo no aumento de nossa capacidade de produção, contratamos mão-de-obra terceirizada para fazer a implantação dos novos equipamentos e vamos fazer novas contratações a partir do primeiro semestre do ano que vem?, diz Francisco Ruga, diretor industrial da Braskem. Segundo ele, apesar da grande demanda internacional pelas matérias-primas produzidas pela empresa, o foco da companhia está no mercado interno. ?Nosso objetivo é fidelizar nossos clientes nacionais e atender à demanda interna?, afirma. Celebrando 20% de elevação na produção e mais 15% de faturamento, outro grupo que não tem do reclamar é o Coringa, de Arapiraca. Mesmo com a queda na produção de milho de Alagoas, José Luiz Pereira, sócio do grupo, não desanimou e aumentou o pedido de compras do grão de fornecedores da Bahia, Goiás e Mato Grosso. ?O preço do fumo ficou mais atraente para os produtores de milho, que redirecionaram sua produção?, conta o empresário. Fabricando produtos alimentícios a partir do milho e do café ? que compra no Paraná ?, José Luiz Pereira tem, ainda, uma fábrica de temperos, de embalagem e de beneficiamento de fumo. Com tantos produtos atrelados a possíveis retrações do mercado consumidor, ele confirma o crescimento do mercado e diz que as políticas públicas deveriam se voltar mais para o incentivo das pequenas e microempresas. ?Com essa medida, seria promovido um aumento de emprego e renda no país?, afirma, com toda a propriedade de quem contratou 170 funcionários do ano passado para cá. O grupo, que antes tinha 500 funcionários, conta atualmente com 670. Presença federal Com a retomada do crescimento, cresceu também a arrecadação federal de impostos. Com isso, o Fundo de Participação dos Estados (FPE), que reforça a receita do Estado, também cresceu. No primeiro semestre de 2004, o FPE ficou 5% maior. Ano passado, de janeiro a junho, Alagoas recebeu cerca de R$ 476,7 milhões de repasse federal. Este ano, no mesmo período, foram R$ 505,3 milhões. ?Alagoas depende muito do FPE, que é uma transferência constitucional cujo valor é sempre maior que a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)?, diz o economista Cícero Péricles. Por outro lado, ele acredita que a arrecadação federal maior permitirá fazer uma série de investimentos previstos em Alagoas, como o Canal do Sertão, a conclusão do novo aeroporto, Pratagy, o centro de convenções, a macrodrenagem no Tabuleiro do Martins, entre outras obras que requeiram liberação mais rápida de recursos?, afirma Péricles. PPPs Em relação à importância que as Parcerias Público Privadas (PPPs) podem assumir no Estado, o economista acredita que elas terão pouco peso no desenvolvimento econômico de Alagoas. ?Essas parcerias existirão para resolver problemas de infra-estrutura, tanto na área dos transportes como na produção de energia. Em Alagoas, esse problema ainda não é forte. A produção sucroalcooleira fica na Zona da Mata, próximo do porto de Maceió; e o turismo é feito todo no Litoral. Para estas duas atividades, a rede viária ainda está regular?, diz. Na sua opinião, a energia elétrica não é um problema regional. ?Em todo caso, algumas obras como a melhoria do Porto do Jaraguá, a recuperação das ferrovias e a produção de energia a partir do bagaço podem se encaixar nas PPPs?, pondera.