Economia
AL segue retomada nacional de crescimento
PATRYCIA MONTEIRO O bom humor do presidente Lula não deixa dúvidas: o país está vivendo um período de bonança no cenário econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) ? conjunto de bens e serviços produzidos no país ? cresceu 4,2% no primeiro semestre, registrando a maior alta desde 2000 e a balança comercial brasileira acumula saldo positivo de US$ 22,502 bilhões. Além disso, a produção industrial cresceu pelo quinto mês consecutivo em julho, as vendas no comércio estão em franca recuperação, o desemprego caiu para 11,7% em junho e o rendimento médio do trabalhador aumentou 1,8% no mesmo mês. Entretanto, vale ressaltar que os bons ventos econômicos começam a soprar após a época de incertezas que marcaram as últimas eleições presidenciais e o primeiro ano do governo Lula. Por isso, muitos economistas enfatizam que estamos vivendo uma fase de retomada de crescimento e não um período de crescimento em si. No mercado, fala-se que será difícil o Brasil manter os mesmos níveis evolutivos nos próximos trimestres já que a base de comparação dos índices econômicos é o ano de 2003, quando o PIB caiu 0,2% e registrou o pior resultado desde 1992. Para garantir que a recuperação da economia não decline, o presidente Lula ainda vai enfrentar uma série de desafios nos próximos anos. O primeiro deles diz respeito ao controle da inflação, tendo em vista que o reaquecimento nas vendas tem provocado aumento nos preços. Outro obstáculo destacado por especialistas diz respeito aos investimentos prementes na infra-estrutura do país para garantir o escoamento da produção crescente. Esses investimentos, traduzidos em modernização de portos, recapeamento e duplicação de estradas, recuperação de ferrovias e construção de pontes, por exemplo, são altos ? mas absolutamente necessários para evitar que o país viva uma espécie de ?apagão? logístico. Para tanto, o governo federal pretende aprovar no Congresso Nacional o projeto das Parcerias Público Privadas (PPP). O terceiro ponto crítico a ser enfrentado pelo governo federal está relacionado à atração de novos investimentos para o Brasil. Mas para isso é preciso fixar regras claras sobre a atuação das empresas em segmentos diversos do mercado brasileiro, para não afastar o capital. ?O marco regulatório do país ainda é fraco, não se tem garantias sobre o que acontecerá daqui a dois anos, que dirá daqui a 30 anos?, analisa Marcelo de Ávila, economista-chefe da consultoria Global Station. Alagoas E Alagoas? Pergunta-se o leitor ao se deparar com tantos índices nacionais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Será que o Estado também está vivendo um período de recuperação econômica? A resposta é sim. É fácil verificar o crescimento econômico nos centros industrializados, como por exemplo, São Paulo ? onde as fábricas e o comércio voltaram a contratar mais trabalhadores. No caso de Alagoas, que tem uma economia menos desenvolvida, é preciso observar indicadores menos evidentes para constatar se houve uma evolução no quadro econômico. Para dar início à observação do fenômeno do crescimento, é necessário verificar o aumento do consumo de energia do Estado. No Sudeste, o consumo de energia entre os clientes industriais cresceu mais do que o PIB. Houve um aumento médio de 4,58% no gasto com o uso elétrico. No dia 25 de agosto, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) registrou recorde de demanda máxima instantânea de energia elétrica. Foram contabilizados 8.084 megawatts (MW), superior à marca de 8.081 MW registrados em dezembro de 2000. Segundo dados da Chesf, pelo menos mil MW consumidos foram utilizados pelos clientes industriais da empresa geradora de energia. O aumento do consumo de energia por parte da indústria é um bom indicativo da retomada do crescimento econômico. ?A energia elétrica está relacionada à produção de bens e mercadorias. Por isso, mais consumo dentro das fábricas pode-se traduzir como aumento de produção?, reflete o economista Cícero Péricles, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). E esse crescimento do consumo elétrico também se confirma no Estado. Em Alagoas, houve um aumento de 8,6% no consumo no primeiro trimestre deste ano. ?Esse aumento foi alavancado pela indústria ? que consumiu metade dessa energia?, frisa Péricles. Vale relembrar que em 2001 tivemos uma crise do fornecimento de energia que influenciou o consumo nos anos seguintes. Segundo a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), o Estado está retomando o consumo de antes do apagão. Nas próximas páginas o leitor vai verificar como estão os outros números revelados pelo consumo de energia.