Economia
Falta de qualifica��o dificulta contrata��es
CRISTINA LIMEIRA A falta de qualificação profissional citada pelo gerente da Gelre como sendo um problema para a inserção no mercado de trabalho é sentida pela proprietária da fábrica de bolos El Shadday, Alda José dos Santos. No momento, a empresária dispõe de duas vagas na área de confeitaria e pastelaria e não está conseguindo preenchê-las. Alda diz que já atua há oito anos no ramo e sempre enfrenta esse tipo de dificuldade, principalmente em época de fim de ano quando aumenta a demanda por seu produtos. Para tentar preencher as vagas, a empresária começou colocando um aviso no estabelecimento, recorreu à propaganda boca a boca e por fim, após várias tentativas frustradas, apelou para o Sistema Nacional de Emprego (Sine). Mas nem assim conseguiu mão-de-obra especializada. ?E olhe que eu pago quinzenalmente e mantenho um salário diferenciado do mínimo ? hoje em R$ 260,00?. Agência de emprego Coordenado pela Secretaria Executiva de Economia Solidária, Trabalho e Renda por meio de convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego, o Sine tem por objetivo melhorar as condições de acesso, a permanência e garantir o retorno dos trabalhadores no mercado de trabalho. O Sine tem uma média de 70 mil trabalhadores inscritos ? a maioria do sexo masculino, com idade entre 18 e 30 anos e com o ensino fundamental - e presta assessoria às empresas interessadas na contratação de trabalhadores por meio da coleta de informações acerca dos requisitos exigidos e disponibiliza as vagas oferecidas nos vários postos de atendimento instalados em todo o Estado. O órgão está presente em Maceió, no bairro de Jaraguá, e possui postos de atendimento nas Centrais Já de Atendimento ao Cidadão, nos bairros de Mangabeiras e do Farol, além de 14 municípios alagoanos situados nas microrregiões. Possui em seu cadastro de egresso desde auxiliar de serviços gerais a pós-graduados e atende, na sua maioria, a empresas de pequeno porte, que não dispõem de um departamento de Recursos Humanos. Apesar de o serviço de captação de mão-de-obra ser feito sem nenhum custo para a empresa, segundo a diretora de Atendimento ao Empregado e ao Empregador, Márcia Barros, ainda são poucos os empresários que recorrem ao Sine. Por Alagoas ser um Estado marcado predominantemente pela monocultura da cana-de-açúcar e pelo turismo a demanda por mão-de-obra é maior nesses segmentos, o que exige do Sine investimentos na qualificação profissional voltados mais para essas duas áreas. Os cursos de qualificação são oferecidos uma vez por ano e são financiados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). ?Durante o ano, observamos qual as áreas que apresentam maior demanda e as carências existentes, e então formamos as turmas?. Segundo Márcia, os cursos são ministrados por empresas especializadas. Embora a falta de qualificação profissional seja citada como um entrave na inserção do mercado de trabalho, há quem prefira apostar em pessoas inexperientes para formar seu quadro de pessoal de acordo com suas necessidades. Isso geralmente ocorre no setor de vendas. Garantias Mesmo sendo um emprego temporário, o trabalhador deve receber os mesmos benefícios de um funcionário efetivo. ?Existe uma dicotomia entre o trabalho temporário e o free lance. O temporário possui vínculo empregatício, tem carteira assinada e direito a férias, décimo terceiro salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, proporcionais ao período trabalhado?, diz o gerente da Gelre, Régis Cansanção Mota. O profissional recebe ainda vale-transporte e pode solicitar um registro formal, na parte de anotações que conta na hora da aposentadoria. Enquanto isso, lá na fábrica de bolo El Shadday, Alda continua à espera de duas pessoas que entendam de doces e salgados para trabalhar. Detalhe: ela tem preferência por homens. ?Eles têm mais disponibilidade?, justifica.