Economia
Ceal pede apoio � Justi�a para cobrar d�bitos
PATRYCIA MONTEIRO Com empenho de peregrino Joaquim Brito, presidente da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) fez uma nova jornada rumo ao Tribunal de Justiça (TJ) para pedir ao novo presidente, Washington Luiz, providências em relação à inadimplência que vem prejudicando não só as finanças da empresa como sua capacidade de investimento. Na reunião de ontem, o executivo da Ceal solicitou a cassação de ações judiciais que vêm impedindo a Ceal de suspender o fornecimento de energia dos maus pagadores do segmento industrial. Em junho deste ano, Joaquim Brito havia se encontrado com o antigo presidente do tribunal, o desembargador Geraldo Tenório, com o mesmo intuito. ?Levamos conosco um dossiê mostrando os resultados da Ceal e um relatório de todos os devedores. Pedimos ao desembargador que analisasse as dificuldades que enfrentamos, mas também que nos ajudasse intermediando futuras negociações de débitos?, diz Brito. Esperançoso, o presidente da Ceal saiu otimista da reunião. Mesmo sem estabelecer um prazo, Washington Luiz se comprometeu a visitar a empresa e adiantar os processos de sua alçada com brevidade. Atualmente, o total da dívida dos inadimplentes da Ceal soma R$ 152,6 milhões. Deste montante, o débito das grandes empresas do segmento industrial do Estado totaliza R$ 86,7 milhões. Por mês, a Ceal deixa de receber quase R$ 3 milhões destes clientes da iniciativa privada e, como se não bastasse, tem ainda de pagar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) destes débitos não honrados, somando aí R$ 600 mil mensais de prejuízo. Os clientes residenciais somam R$ 37,8 milhões em dívidas, enquanto os comerciais, formados por lojas e prestadores de serviços, por exemplo, totalizam R$ 17,8 milhões. Entretanto, com esses clientes a Ceal pode suspender seus serviços. Com alguns clientes industriais o procedimento não é possível por causa do expediente das liminares que impedem o corte e a cobrança. Assim, há dívidas que esperam por pagamento há 10 anos. O curioso é observar que no Programa Baixa Renda, formado por pessoas atendidas pelo programa Bolsa-Família do governo federal, o índice de inadimplência é quase zero.