Economia
Brasil tem 2a maior taxa de juros do mundo
O Brasil tem a segunda maior taxa de juros real do mundo, descontada a inflação, se consideradas as taxas reais projetadas para os próximos 12 meses e também os juros efetivos dos últimos 12 meses - de agosto do ano passado a agosto deste ano - conforme relatório divulgado pela Global Invest, empresa de consultoria. A taxa de juros real projetada ficou estável em 9,2% ao ano, entre os meses de julho e agosto. Nos últimos 12 meses, até agosto, o número foi ligeiramente superior: 9,3%. A Turquia, líder desse ranking tem uma taxa de 10,9% projetada e 13,5% nos últimos 12 meses. A terceira colocada é a África do Sul, com 6,3% projetada e 7,1% de agosto de 2003 a agosto deste ano. No caso do Brasil, para se chegar a esse resultado, foi utilizada a taxa Selic de 16% e a projeção do IPCA para os próximos 12 meses, que é de 6,12%. Com o aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, desde ontem, a juro real sobe de 9,24% em agosto para 9,47% em setembro. Selic Com o aumento de 0,25% na taxa de juros básica, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sinalizou que está iniciando um processo de aperto monetário. Foi a primeira elevação desde fevereiro de 2003, quando os juros chegaram a 26,5% ao ano. O encontro marcou também a quebra de quatro reuniões consecutivas em que os juros foram mantidos no nível de 16% ao ano. A decisão não foi unânime. Três membros do Banco Central (BC) votaram por aumento de 0,50 ponto percentual nos juros, enquanto outros cinco votaram pela elevação em 0,25%. Segundo o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, a decisão do Copom mostra atenção às expectativas inflacionárias, mas não terá efeito prático sobre elas. ?Nossa visão é de que o patamar de 16,25% não terá grande impacto sobre a curva longa, que deve continuar fechando?, disse. Representantes da indústria avaliaram que o aumento não interrompe a atual recuperação da economia, mas pode afugentar novos investimentos. Na visão do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, o Copom adicionou incerteza aos agentes econômicos. ?Não se sabe onde os juros vão parar. Não se sabe como a demanda vai se comportar nos próximos meses, nem tampouco a probabilidade de alguém continuar empregado ou encontrar um emprego?, afirmou. ?A conseqüência de tamanha incerteza pode ser um pé no freio nos planos de consumo e investimento.?