Economia
Ind�stria t�xtil bate recorde em exporta��es
A indústria têxtil e de confecções obteve em agosto um recorde histórico de exportações, considerando o dado mensal, com vendas externas de US$ 198 milhões, disse na última sexta-feira o diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), Aref Farkouh. O valor é 39,5% maior do que o de igual mês de 2003, e 11,2% superior aos US$ 178 milhões obtidos em julho. No acumulado até agosto, as exportações do setor somaram US$ 1,25 bilhão, 26% acima do mesmo intervalo em 2003, quando somaram US$ 992 milhões. Os artigos de cama, mesa e banho, principais itens da pauta de exportação do setor, venderam 14% mais no período com receita de US$ 221 milhões. Os tecidos de algodão tiveram vendas 12% maiores com US$ 174 milhões. Em percentual, os fios de poliéster destacaram-se com um aumento expressivo, 152%. As vendas externas do produto alcançaram US$ 12 milhões até agosto último. Os Estados Unidos, mais importante mercado para o Brasil, compraram 13,6% mais e responderam por US$ 328 milhões do total. Já os embarques para a Argentina, segundo maior destino para o Brasil, cresceram 16,6% com US$ 242 milhões. Em percentual, um dos destaques é a Espanha que comprou 125% mais do Brasil, um total de US$ 37 milhões. O Japão também teve aumento expressivo, 75%, com a compra de US$ 35 milhões. ?Trata-se de um mercado importante, que importa US$ 6 bilhões em produtos têxteis, no qual a indústria nacional está ganhando espaço?, disse Farkouh. O diretor da Abit informou que vários fatores têm contribuído para essa elevação, apesar do dólar considerado ?barato?. Entre eles, Farkouh cita a estabilidade do câmbio. ?Apesar de baixo, é melhor assim do que oscilando?, afirmou o executivo. Para o diretor da Abit, o esforço da entidade e de outros organismos para colocar os produtos brasileiros no exterior aliado a maior maturidade da indústria em relação às vendas externas e aos preços mais contidos na cadeia têxtil ajudaram a melhoras as exportações. Farkouh disse que, a seguir esse ritmo, as previsões iniciais do setor de exportar cerca de US$ 2 bilhões este ano (foram US$ 1,6 bilhão no ano passado) poderão ser superadas. Além disso, informou, as contratações deverão chegar a 50 mil pessoas este ano, no primeiro semestre, disse Farkouh, foram 38 mil novos funcionários. Marcelo Prado, presidente do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), especializado em pesquisas sobre o setor, considerou que no mercado externo, as fábricas brasileiras ainda têm espaço para crescer, mas é necessário que sejam mais agressivas nesse sentido. Segundo o Iemi, 93% das vendas do setor ainda são para o mercado interno. ?A relação custo-benefício é muito boa, vendendo no mercado local, o que faz com que algumas empresas ainda sejam pouco agressivas nas exportações?, afirmou Prado, acrescentando que mesmo dentro do Brasil a estrutura de distribuição ainda é insuficiente, já que aproximadamente 70% da produção é vendida no Estado de origem.