Economia
R�ssia embarga, de novo, carne brasileira
A Rússia decretou uma suspensão parcial das importações de animais vivos e de produtos de origem animal brasileiros que não passaram por tratamento térmico, informou o Ministério da Agricultura russo em um comunicado na última sexta-feira. A medida entrará em vigor a partir desta segunda-feira. A suspensão foi motivada pelos casos de febre aftosa registrados no Brasil na semana passada. O ministério russo não deixou claro se a suspensão se aplicará tanto à carne bovina como à de frango e suína. A suspensão também atinge a China, que não pode vender aos russos, desde a última sexta-feira, animais vivos e produtos de origem animal que não passaram por tratamento térmico. ?Investigações conjuntas sobre febre aftosa no território chinês na fronteira com a Rússia, realizadas depois de pedidos do serviço veterinário russo, falharam em providenciar informações confiáveis?, informou o comunicado do governo russo sobre a China. Outro comunicado tratou da questão brasileira, informando apenas o estabelecimento da barreira a produtos de origem animal que não passaram por tratamento de calor (carne in natura). A nota informa que a restrição ?continuará em vigor até que a situação de febre aftosa no Brasil se estabilize?. Esta é a segunda vez neste ano que a Rússia, um dos principais mercados para as exportações de carne do Brasil, impõe este tipo de restrição. O Brasil registrou um novo caso de febre aftosa no último dia 13, no Amazonas, região considerada de risco e que não faz parte da área classificada como livre de aftosa pelo governo brasileiro. Em junho, o governo russo havia suspendido os embarques de carnes depois da descoberta de um foco de aftosa no Pará. Posteriormente, a proibição foi relaxada e apenas o Pará e alguns frigoríficos do Mato Grosso continuaram suspensos. Mercado importante ?Em minha opinião, a Rússia está tirando vantagem desta questão sanitária para fins políticos?, afirmou o consultor da área de carnes Ênio Marques. ?A Rússia continua sendo um mercado muito importante para o setor de carnes brasileiro?. Na última sexta-feira, o Ministério da Agricultura brasileiro informou que ainda não havia sido comunicado oficialmente da medida do governo russo e que esperaria ter mais informações sobre a ação para fazer qualquer comentário. A Rússia tem tentado limitar as importações de carne de vários países e impôs quotas a partir de 2003. O Brasil tem conseguido exportar acima das suas cotas para 2004 graças a problemas sanitários nos países que dispunham das maiores fatias do mercado. Em 2003, o Brasil exportou 84 mil toneladas de carne bovina para a Rússia, com valor de US$ 101 milhões, e neste ano, até agosto, já embarcou 134 mil toneladas, com receita de US$ 139 milhões. As exportações de frango para a Rússia também são significativas e somaram 144 mil toneladas de janeiro a julho deste ano, com receita de US$ 119 milhões. A febre aftosa não é perigosa para humanos, mas pode provocar perda de rendimento em rebanhos. Trigo Nesta semana, uma missão do Ministério da Agricultura vai à Rússia para negociar os termos de importação de trigo russo do tipo duro. Segundo o assessor internacional da Diretoria de Defesa e Inspeção Vegetal, Gilson Consenza, os russos rejeitaram a condição imposta pelo governo brasileiro de realizar duas fumigações nos carregamentos de trigo. A aplicação de inseticida seria necessária devido à ocorrência do carrapato Acarus ciro no território russo. Praga de grãos armazenados, o carrapato danifica o grão. A justificativa do governo russo para não aceitar a condição brasileira foi a prática diferenciada com relação ao trigo americano. O Acarus ciro também ocorre nos Estados Unidos e o Brasil não exige fumigação nos carregamentos vindos daquele país. A Instrução Normativa do ministério, com os termos brasileiros, que foi enviada no dia 27 de julho, ainda exige que o trigo russo não entre nos portos do Sul, por ser região produtora, e só chegue por portos com moinho, como Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Fortaleza e Belém. A medida é adotada para importação de trigo proveniente de áreas com a presença do ácaro para que o produto não percorra as estradas brasileiras, o que aumenta o risco de contaminação. Nesses casos, o trigo sequer sai do porto. O grão percorre dutos e vai direto para o moinho para o processamento.