Economia
Produ��o alagoana desponta tamb�m em produtividade
PATRYCIA MONTEIRO Segundo estimativas do mercado nacional, a produção de cana da Região Nordeste vai superar as expectativas iniciais de 60 milhões de toneladas, para cerca de 62 milhões na safra de 2004/2005 - com crescimento de 6,7% em relação ao ano passado, que fechou com produção de 59 milhões de toneladas. Se as previsões se confirmarem é possível que Alagoas bata novo recorde de produção, chegando ao patamar de 27 milhões de toneladas de cana. No eixo Centro-Sul, a safra está em fase final. Apesar do excesso de chuva há previsão de 7% de crescimento em relação à safra passada, somando produção total de 320 milhões de toneladas da matéria-prima do açúcar e do álcool. Aqui no Estado, por outro lado, os empresários fazem uma previsão mais contida. Eles imaginam que terão perdas na safra de 2004/2005 por causa do excesso de chuva que causou a proliferação da praga cigarrinha e que também provocou o florescimento da cana-de-açúcar. ?É provável que tenhamos uma safra 10% menor, mas com uma valorização de até 25%?, afirma José Carlos Maranhão, empresário do Grupo Santo Antônio. Fiel a sua máxima de que ?safra só se estima quando acaba?, ele diz que as possíveis perdas com a produção serão recompensadas com o aumento do preço do açúcar no mercado internacional, que está 30% melhor que o do ano passado. ?Ganharemos também em produtividade, já que a cana deste ano tem tido níveis de qualidade superiores aos da safra passada graças aos maturadores químicos que introduzimos no plantio deste ano?, afirma. E no quesito produtividade, a cana alagoana é destaque nacional. ?As variedades genéticas do Estado são bem valorizadas no país?, afirma Hibernon Cavalcante, diretor-técnico da Secretaria da Agricultura. Segundo Cavalcante, as chamadas ?Repúblicas Brasileiras? (RB) ? denominação dada às variedades genéticas desenvolvidas pelo departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ? dominam os plantéis do eixo Sul-Sudeste. ?Em São Paulo, as RB?s representa 60% das áreas cultivadas. No Paraná sua presença corresponde a 70%?. No mercado, a variedade alagoana rivaliza com a SP, desenvolvida no Estado de São Paulo. Curiosamente, em Alagoas as RB?s só correspondem a 40% do plantel. Mas, de acordo com o empresário José Carlos Maranhão, elas ainda não predominam na paisagem local porque são relativamente novas no mercado e ainda não são muito conhecidas. Para se entender a competitividade das novas variedades de cana é preciso saber que o preço do produto não é mais avaliado apenas pelo peso. Desde os anos 90, é o teor de sacarose da planta que determina seu valor de mercado. A media adotada é denominada Açúcar Total Recuperado (ATR). Por outro lado, a cana-de-açúcar com o mais alto ATR é aquela que apresenta um bom desenvolvimento que atualmente advém das pesquisas de laboratório. ?Na universidade, nós conseguimos desenvolver mais de 20 variedades de RB?s, além de mais cem variedades de cana-de-açúcar?, conta, orgulhoso, o professor Geraldo Veríssimo, coordenador das pesquisas de melhoramento genético da Ufal. Na fazenda de 30 hectares situada em Murici, ele e sua equipe de técnicos fazem o cruzamento genético de mudas de cana-de-açúcar visando criar variedades mais resistentes a pragas, doenças, tolerantes à estiagem, entre outras características desenvolvidas. Os acadêmicos atuam em parceria com o setor produtivo e, recentemente, receberam um aporte financeiro de R$ 1 milhão dos produtores de cana do Estado. O trabalho dos especialistas da Ufal consiste em fazer o cruzamento tradicional das plantas. Mas a equipe já iniciou seus primeiros estudos na área de transgenia. ?A diferença da cana transgênica é que ela traz características genéticas de outras plantas na sua composição. Em breve poderemos inserir o gene do cactos que resiste à seca na cana-de-açúcar, por exemplo?, diz Veríssimo. Segundo ele, no prazo de dez anos os técnicos da Ufal estarão recomendando trabalhos nessa área.