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Pre�o da cana-de-a��car dispara em Alagoas

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PATRYCIA MONTEIRO Nada como um ano após o outro, devem pensar os produtores de cana-de-açúcar de Alagoas, contemplando o verde de suas plantações. Favorecidos pelo aumento das demandas interna e externa de açúcar e álcool, os plantadores que iniciaram suas colheitas no mês de setembro podem não estar certos sobre um aumento de produção na safra 2004/2005, mas já podem celebrar o fato de comercializar sua matéria-prima por um preço 70% maior do que o comercializado no ano passado e com perspectiva de ter seus valores aumentados ainda mais. ?Na safra 2003/2004, produzimos 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e faturamos R$ 25 milhões. Este ano, vamos produzir 1 milhão a menos, mas esperamos faturar algo em torno de R$ 40 milhões?, diz Edgar Antunes, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-açúcar de Alagoas (Asplana), formada por cinco mil pequenos agricultores, dos quais 70% têm produção de até mil toneladas. Vale ressaltar que este grupo é responsável por apenas 30% da cana cultivada no Estado. Os outros 70% são cana própria produzida pelos grandes empresários da agroindústria canavieira. Segundo Antunes, a safra anterior teve seu preço achatado em função da oferta maior. Esse ano, a quebra da safra da Índia e da Rússia colaborou para a elevação do preço do açúcar no mercado internacional. No mercado interno, a produção paulista ? a maior do país ? foi prejudicada pelo excesso de chuva, atrasando a produção, que deixou de colher 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. ?Além disso, o alto preço do petróleo traz uma valorização do álcool que este ano teve suas vendas aquecidas no Brasil por causa dos veículos flex fuel?, analisa. De fato, segundo dados de junho da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de veículos bicombustíveis ? que podem utilizar tanto a gasolina como o álcool no tanque ? superaram o sucateamento da frota nacional em 4 mil unidades. Atualmente, especialistas do mercado esperam que o aumento do consumo alavancado pelos veículos bicombustíveis faça com que 50% da safra de 2004/2005 seja voltada para a produção do álcool hidratado, chegando a algo em torno de 7,6 bilhões de litros. ?Em agosto, o preço médio do açúcar (em termos reais) no mercado paulista foi de R$ 30,00/saca 50 kg, o maior dos últimos onze meses e, em relação a julho, os acréscimos foram de 7,71% em termos nominais e de 6,42% em termos reais. Desde o início da safra (começo de maio), até o final de agosto, a alta acumulada foi de 23%, o que é considerado um movimento atípico para o setor nesse período de pico de safra, já que os preços deveriam estar em queda pelo grande volume de oferta?, descreve o relatório mensal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) que regula o preço do açúcar no mercado interno brasileiro. De acordo com os analistas da Esalq, no período de maio a agosto de 2003, os preços do açúcar recuaram 23,5% - mas estavam relativamente elevados no início da safra passada por causa dos baixos estoques de açúcar e álcool, que motivou a antecipação da safra. ?Já na abertura do atual ano-safra, os preços estavam em patamares mais baixos se comparados aos de outros anos, o que contribuiu para a constatada alta de preços nos últimos meses?, afirma relatório da Esalq. Segundo a equipe da escola de agricultura da Universidade de São Paulo (USP), o início da moagem de cana da safra 2004/05 no Nordeste não pressionou os preços do açúcar em agosto porque a maioria das usinas só começou a moagem na segunda quinzena de setembro. ?Para o Estado de Alagoas, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal fechou o mês de agosto em R$ 34,03/saca de 50kg, alta de 7,72% sobre julho. Em Pernambuco, o Indicador foi de R$ 34,44/saca de 50kg, valorização de 4,8% no mês. Em termos reais, a média dos preços em agosto foram as maiores desde setembro/03?, informa o relatório mensal. No mercado de álcool da região nordestina o levantamento da Esalq também observa um movimento positivo em agosto. ?Em Alagoas, o Indicador fechou em R$ 0,91265/litro (com impostos) para o anidro, e em R$ 0,80663/litro (com impostos, exceto ICMS) para o hidratado, variações de 9,1% e 9,2%, respectivamente, sobre julho?. E o otimismo em relação aos preços não pára por aí. Segundo o diretor-técnico da Secretaria de Agricultura, Hibernon Cavalcante, é possível que o preço da cana chegue a R$ 50 a tonelada. ?E o consumo de açúcar e álcool tende a crescer nos próximos anos, pois para atender à demanda emergente teremos de aumentar em pelo menos 100 milhões de toneladas a pro-dução nacional?, diz.

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