Economia
Super�vit prim�rio chega a quase R$ 11 bi e bate recorde
O setor público consolidado alcançou em agosto superávit primário de R$ 10,931 bilhões, mais que o dobro do saldo positivo de R$ 4,964 bilhões em agosto do ano passado, levando o país a superar com folga a meta de superávit para o acumulado do ano até setembro. O atual resultado primário - que é a diferença entre as receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros - é o melhor resultado fiscal da série histórica iniciada em 1991. Já a relação entre dívida líquida do setor público e Produto Interno Bruto (PIB) passou a 54,1%. ?O nível mais baixo desde abril de 2003?, de acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes. ?É um resultado que mostra comprometimento fiscal. É isso que nos leva a acreditar no cumprimento da meta, embora tenha sido elevada para 4,5% (do Produto Interno Bruto)?, afirmou, ontem, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Nos 12 meses encerrados em agosto, o superávit primário acumulado equivale a 4,95% do PIB - o mais alto para o período desde janeiro de 1995. ?Temos de lembrar que em dezembro a sazonalidade é um pouco perversa, quando geralmente temos déficit primário e não se espera que seja diferente este ano?, completou Lopes. No ano, a economia é de R$ 63,7 bilhões, o que extrapola a meta de R$ 56,9 bilhões para ser alcançada até o final do terceiro trimestre. A meta com o FMI é de superávit de 4,25% do PIB no ano, mas o governo já anunciou que buscará 4,5%. Somente em agosto, as estatais tiveram superávit primário de R$ 5,5 bilhões - frente ao alvo de R$ 11,7 bilhões para 2004 todo. O governo central contribuiu com resultado positivo de R$ 3,8 bilhões no mês passado e os governos estaduais e municipais, com R$ 1,6 bilhão. Segundo Lopes, o resultado das estatais é pontual e reflete a gestão de caixa das empresas. ?Elas têm uma meta e dentro dessa meta se ajustam, têm liberdade para sua gestão de caixa?, disse, lembrando que a Petrobras é a que tem maior participação entre as estatais. Dívida em queda Para o ex-presidente do BC Gustavo Loyola, a melhora das contas do governo tem relação com o bom momento da economia. ?O aumento da atividade econômica favorece o desempenho fiscal. O governo deveria aproveitar essa oportunidade para melhorar a composição da despesa pública, não gastar o superávit com despesas recorrentes que não sejam facilmente reduzidas?, afirmou. ?O ideal era que a despesa de custeio reduzisse e os investimentos aumentassem.? Loyola comentou, ainda, que o esforço fiscal se traduz em sinal positivo para os mercados, principalmente às vésperas da eleição municipal. ?É importante (ter resultado robusto) porque o petróleo pode nos pregar uma peça?, acrescentou. ?Uma crise externa afeta o Brasil, mas dependendo da nossa situação afeta mais ou menos.? Um dos indicadores de menor vulnerabilidade é a redução da relação entre dívida e PIB - que caiu para 54,1% em agosto, a menor desde abril de 2003. Para o final do ano, o governo estima 55%, levando em conta superávit primário de 4,5% e as últimas projeções do mercado. O déficit nominal do setor público também diminuiu, para 2,82% do PIB nos 12 meses encerrados em agosto, ante 3,32% até julho. Diante da notícia, a subdiretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, incentivou o Brasil a aproveitar os resultados obtidos por sua ?impressionante? política macroeconômica para aprofundar reformas estruturais que permitam ao país crescer a médio e longo prazos e reduzir a pobreza.