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Estado aposta em APLs para se desenvolver

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CRISTINA LIMEIRA Após investir sem efetivo êxito em grandiosos projetos para redução da pobreza e aumento da renda por meio da industrialização, o governo do Estado, no esteio dos movimentos de assistência social aliado à absoluta inexistência de recursos públicos, está concentrando seus esforços em um novo conceito: os chamados Arranjos Produtivos Locais (APLs). A proposta está inspirada no modelo de organização industrial consolidado, na década de 70, na região nordeste da Itália ? a chamada Terceira Itália -, onde se concentram pequenas e médias empresas que trabalham direta e indiretamente para um mesmo mercado final. A região, tida como reduto de pobreza do país, é hoje considerada uma das mais industrializadas do mundo, possui a melhor renda per capta daquele continente e um dos menores índices de desemprego e é exemplo mundial. Resta saber se o que é bom para venezianos e genoveses se aplica aos alagoanos da vida. O governo aposta que sim. Tanto é que criou o Programa de Mobilização para o Desenvolvimento dos Arranjos e Territórios Produtivos Locais do Estado de Alagoas (PAPL/AL) integrado ao Plano Plurianual (PPA) de investimentos para o período 2004-2007. O programa começou a ser traçado no início de 2002 pela Secretaria Executiva de Planejamento e Orçamento (Seplan), em parceria com o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa em Alagoas (Sebrae/AL), com o propósito de organizar e implementar um processo de mobilização para a promoção e desenvolvimento dos arranjos, territórios e sistemas produtivos locais no Estado, formado principalmente por micro e pequenos empreendimentos nos setores de Agronegócios, Indústria e Serviços. O objetivo final é gerar emprego e renda por meio da diversificação da economia local. Após serem analisadas 27 alternativas produtivas, foram selecionadas 15, sendo priorizadas dez para ser beneficiadas neste ano: movelaria, turismo, laticínios, apicultura, mandioca, ovinocaprinocultura, piscicultura, tecnologia da informação e cultura, desenvolvidas nas regiões do Agreste, Sertão, Delta do São Francisco, Costa dos Corais, Lagoas e em Maceió. Os arranjos selecionados abrangem todas as regiões do Estado, envolvendo 60% dos municípios e mais de 27 mil produtores, empresários e empreendedores de micro e pequeno porte na capital e no interior do Estado e tem como meta aumentar a atração de capital e o dinamismo empresarial no Estado, fortalecendo a interação e cooperação entre produtores e empreendedores locais. Os critérios utilizados para a escolha dos APLs foram, além das potencialidades naturais, os índices de pobreza e desigualdade social; de renda e PIB per capta; de saúde e educação; de desenvolvimento econômico e condições político-institucionais de cada região. Outro ponto que influenciou na definição dos arranjos produtivos de Alagoas, segundo o diretor técnico do Sebrae, Osvaldo Viégas, foi a capacidade de organização e dinamismo das empresas e produtores. Em cada arranjo ou território definido foi designado um gestor local para articular uma rede de parceiros, produtores e empreendedores, visando à construção de um plano de ação para o desenvolvimento do APL. O plano de ação foi discutido com os produtores durante a realização de oficinas nas respectivas localidades para posteriormente ser negociado com os parceiros interessados em participar do programa a exemplo de agentes financiadores, de entidades de ensino e tecnologia, instituições públicas federais, estaduais e municipais, federação e entidades de classe, prefeituras municipais além de fóruns e câmaras setoriais. As ações previstas ? que incluem capacitação, comercialização, crédito e infra-estrutura, começaram a ser discutidas este mês, por meio de rodadas de negociações com prováveis parceiros. A idéia dos APLs é válida, mas transporta para os próprios empreendedores a responsabilidade pela reversão da sua situação econômica e social. Vocação natural tem de sobra em Alagoas, mas a vocação para ser empreendedor está ligada a outros fatores sociais que não são facilmente transponíveis apenas por meio da boa vontade e do incentivo, a exemplo de questões ligadas à educação, à saúde e à burocracia. O Programa de Mobilização para o Desenvolvimento dos Arranjos e Territórios Produtivos Locais do Estado de Alagoas (PAPL/AL) foi lançado oficialmente pelo governo no dia 31 de agosto deste mês e prevê investimento de R$ 36 milhões até 2005 para o desenvolvimento dos dez APLs. Em 2005, serão trabalhadas as áreas de piscicultura (Xingó), pinha (Agreste), milho (Agreste), floricultura (Zona da Mata) e turismo (Litoral Sul).

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