Economia
Alagoas tem alta concentra��o de renda, diz pesquisa do IBGE
PATRYCIA MONTEIRO A alta concentração de renda é uma das principais mazelas sociais observadas em Alagoas, de acordo com os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento, feito em 2003, mostra que no universo formado por 1.133.203 pessoas com ocupação no Estado, 69% têm renda de até um salário mínimo, enquanto menos de 5% da população em atividade tem remuneração acima de cinco salários mínimos. A maior parte dos trabalhadores em atividade em Alagoas, cerca de 341 mil, recebe até um salário mínimo. Entretanto, o segundo maior grupo entre os trabalhadores não tem sequer rendimentos mensais e 221 mil trabalhadores obtêm remuneração mensal de até meio salário mínimo. Em contrapartida, apenas 6.868 cidadãos alagoanos têm rendimentos mensais acima de 20 salários mínimos, enquanto 30.223 recebem de 5 a 10 salários mínimos e 13.735 recebem de 10 a 20 salários mínimos. ?A grande distância entre os rendimentos alagoanos não é apenas um problema social, mas também um fator econômico limitador?, diz Fernando Lira, doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?Quando o capital produtivo planeja seus investimentos ele observa a renda per capita da população e como ela tem evoluído no tempo, para perceber a renda disponível para o consumo. Ao observar que o mercado consumidor alagoano é pequeno, tendo em vista que a classe média do Estado é pequena, os investidores privados se retraem?, analisa Lira, mencionando que a classe média é a grande engrenagem do consumo em massa, já que tem remuneração mais alta e mais capacidade de endividamento. Segundo o economista, a alta concentração de renda é decorrente da concentração de terra, poder e dos baixos níveis de escolaridade da população alagoana. De fato, de acordo com a pesquisa do IBGE, de um universo composto por 982.564 pessoas que tiveram acesso à escola, apenas 45.322 têm nível superior. Mais de 729 mil têm o Ensino Fundamental de escolaridade e 114 mil o Ensino Médio. De toda a população alagoana, formada por 2,9 milhões de cidadãos, 519.618 têm menos de 1 ano de escolaridade, contabilizando aqueles com idade acima de 10 anos. Segundo o levantamento, dos 1,029 milhão de pessoas que têm acesso à educação, cerca de 890 mil fazem parte da rede pública de ensino. ?O que reforça a necessidade de investir cada vez mais na qualidade do ensino oferecido, porque é por meio da educação que poderemos começar a reverter o quadro de extrema pobreza em Alagoas?, afirma o professor da Ufal. Na opinião de Fernando Lira, para romper com o ciclo de pobreza no Estado é necessário, também, diversificar o padrão produtivo baseado no setor sucroalcooleiro e promover uma descentralização de poder. ?Não adianta promover o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se o retorno financeiro fica restrito ao grupo dos 20% mais ricos, o efeito multiplicador de riquezas é quase nulo. É preciso que o capital, em seu crescimento, gere mais emprego e renda?, explica. O levantamento do IBGE endossa outros indicativos sociais já observados em outros censos. Um deles é de que existe uma grande desproporção entre as populações urbana e rural, com 1,9 milhão de habitantes nos grandes centros, contra 967 mil no campo e de que grande parte da mão-de-obra alagoana desempenha atividades agrícolas ? são 467 mil trabalhadores, contra 181,7 mil atuando no comércio e 139 mil na indústria.