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Economia

Baixa escolaridade impede desenvolvimento

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PATRYCIA MONTEIRO Com uma concentração de renda histórica, Alagoas tem um outro agravante do ponto de vista do desenvolvimento econômico: a falta de qualificação de mão-de-obra, que também limita a entrada de novos investimentos privados no Estado. No período entre 2002 e 2003, o índice de analfabetismo aumentou em Alagoas. Subiu de 31,2% para 32,1%, segundo o levantamento do IBGE. O número de analfabetos alagoanos está acima da média nacional recente, que é 11,2%. Mesmo no Nordeste, o patamar é alto, já que a média da região está em 22,2%. Além disso, o nível de escolaridade do Estado ainda permanece baixo, tendo em vista que - no universo formado por pessoas com mais de 10 anos que tiveram acesso à educação - a grande maioria não tem sequer um ano de escolaridade. São 596.618 alagoanos sem instrução, em um contingente composto por 2.260.460 pessoas que foram à escola - ou seja, 26,39% dos habitantes. Somando o número de pessoas que têm de 1 a 4 anos de estudo, forma-se um grupo que representa 32,54% da população que foi à escola. Cerca de 1,2 milhão de alagoanos têm até o nível de escolaridade até o Ensino Fundamental, é um contingente que engloba mais da metade dos habitantes letrados, 56,12%. Aqueles que têm nível médio representam 12,55% da população e os que chegaram à universidade apenas 4,55%. ?O que observamos, ainda, é que nos primeiros anos de universidade até a formatura, o número de alunos vai diminuindo sensivelmente?, diz Alberto Saldanha, historiador e professor do departamento de Ciências Humanas da Universidade Federal de Alagoas. ?São 182.681 pessoas com Ensino Médio contra 16.025 que chegam ao universo formado pelas pessoas que têm 12 anos de estudo. Isso significa que a maioria não consegue superar a barreira do vestibular, o que pode denotar uma certa falta de qualidade do ensino?, explica Saldanha. ?Mas o quadro não melhora após o acesso à universidade, afinal o número de alunos vai diminuindo sensivelmente ao longo dos anos de permanência na instituição de ensino?, analisa. De fato, dos 16 mil que entram na faculdade em Alagoas, apenas 10.071 chega ao 14o ano de estudo. No contingente geral, apenas 65 mil somam 15 anos de estudos, que é quando normalmente se encerra o ciclo de estudo que culmina com a conclusão de um curso universitário. Para o professor, é muito difícil reverter o quadro de alta concentração de renda em um universo com tão baixa qualificação de mão-de-obra. ?A pouca instrução marcante em Alagoas também condena esse grupo de excluídos a viver à margem da cidadania e da compreensão dos processos políticos?. Na visão de Saldanha, uma solução para o Estado, do ponto de vista mais imediato, é cada vez mais buscar recursos dos projetos sociais do governo federal ? já que a atual capacidade de investimento do governo estadual é limitada ? para criar um certo poder aquisitivo entre esses alagoanos aparentemente condenados à pobreza. ?Mas isso, no curto prazo. Porque, a longo prazo é necessário romper com o padrão produtivo baseado apenas na cana-de-açúcar, porque é impossível fazer distribuição de renda em um contexto econômico fundamentado no latifúndio?, afirma.

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