Economia
Economistas aprovam sa�da do Brasil do FMI
A intenção do Brasil de não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista ao jornal argentino Clarín da última sexta-feira, foi elogiada por economistas, para os quais o momento econômico atual é adequado para a adoção da medida. Mas a intenção do governo, defendida ainda pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, também é vista como ?bravata nacionalista?, capaz de comprometer, inclusive, a avaliação de risco do país. Entre os que apóiam a não renovação do acordo está o vice-presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo e professor da USP, Heron do Carmo. No seu entender, as condições atuais da economia brasileira propiciam o desligamento. ?Estamos com inflação em queda, superávit na conta-corrente e previsão de crescimento do PIB em torno de 4% por dois anos consecutivos (2004 e 2005), algo que não se verifica há muito tempo no Brasil. Em termos eleitorais, a situação é muito boa também, porque estamos a meio caminho de um novo processo de eleição presidencial que sempre gera aumento de risco, acirramento de críticas da oposição e espaço para especulações no mercado internacional. Acho até que seria prudente deixar já o FMI e mostrar que a política econômica é feita pelo governo brasileiro e não mais pelo Fundo?, disse. A opinião é compartilhada pelo professor do Instituto de Economia da UFRJ Luiz Carlos Prado. Segundo ele, a medida não é sequer polêmica, já que a função do FMI é de dar apoio em momentos de crise, o que ?não é o caso do Brasil no momento, nem em um futuro próximo?. ?O Brasil tem sido um exportador líquido de capital, os números da balança de pagamento são muito tranqüilos, o país tem superávit de transações correntes, a dívida externa vem se reduzindo, enfim, não há necessidade ou risco que justifique um novo acordo?, diz. Mas, para outro economista da UFRJ, Claudio Contador, o presidente do Banco Central foi, no mínimo, imprudente, ao fazer uma declaração ousada e que ?soa como bravata?. ?Mesmo que o país não precise mais da tutela do FMI, esse tipo de declaração é desnecessária, precipitada, tipicamente nacionalista e não leva a nada. Até pelo contrário; pode introduzir um componente de taxa de risco que venha a prejudicar o Brasil lá fora?, analisou. Cláudio Contador, que também é diretor-executivo da Fundação Nacional Escola de Seguros (Funenseg), observou ainda que, apesar dos bons indicadores que a economia vem apresentando, as estatísticas abrangem apenas o curto prazo e ainda existem incertezas, como os desdobramentos da alta do preço do petróleo sobre a economia mundial e brasileira. A presidente da Standard & Poor?s no Brasil, Regina Nunes, discorda: ?É importante enfatizar que a economia melhorou não porque o FMI exigiu, mas porque era isso que o governo pretendia, até para poder melhorar os seus indicadores sociais. Ter ou não ter o suporte do FMI neste momento não é fundamental. Além do mais, quando se recorreu ao Fundo foi mais para contar com um colchão, em termos de flexibilidade monetária em moeda forte, em um momento em que o mercado não estava dando liquidez ao Brasil?, explicou. Ao analisar o atual quadro da economia, a analista ressaltou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ajustes históricos sem romper com o paradigma da economia, respeitando metas e até superando-as, como no caso do superávit primário. Regina Nunes admitiu que o problema maior da economia brasileira se refere ao perfil e à carga de sua dívida, que é alta para os padrões internacionais e de curto prazo. A taxa de juros, segundo ela, também se elevou porque não havia austeridade fiscal e os empréstimos obtidos eram para pagar juros, em vez de serem direcionados para investimentos. Mas o importante, segundo ela, é que o controle da economia continua forte e as metas assumidas pelo governo estão sendo cumpridas.