Economia
Governo e empres�rios discutem oferta da UE
O governo brasileiro marcou para a manhã da próxima terça-feira, em Brasília, um encontro com a Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), que reúne representantes do setor privado, para discutir a oferta de abertura comercial entregue pela União Européia (UE), ao Mercosul, na última quarta-feira. No mesmo dia à tarde haverá reunião do comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), que inclui diferentes órgãos do governo, para discutir o assunto. Só assim será possível uma avaliação completa da oferta, disse, na última quinta-feira, Régis Arslanian, que chefia o Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty. Também na quinta-feira a porta-voz de Pascal Lamy, comissário europeu de Comércio, disse que a UE acha difícil os blocos fecharem um acordo até o fim de outubro, como prevê o cronograma atual de negociações. Nas atuais condições, realmente é impossível fechar um acordo para criar a maior área de livre comércio do mundo, dizem negociadores brasileiros. Arslanian afirmou que a negociação não acabou. Mas a questão é que, se não finalizada até 31 de outubro, pode ficar ainda mais complicada depois. É que em 1º de novembro assumem os novos comissários europeus e os 10 últimos países a entrar na UE, em maio, podem contribuir ainda mais para reduzir a abrangência do acordo. Além disso, os dois lados disseram que suas propostas valem até aquela data. Para alguns diplomatas brasileiros, a possibilidade dada aos membros da UE de mexer na proposta feita na quarta-feira, sem deixar o trabalho todo nas mãos de Lamy e sua equipe, é sinal da perda de capacidade do comissário de negociar. Lamy tem sido criticado por alguns países, como a França, pelas ofertas feitas ao Mercosul e na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), vistas como muito generosas. Os blocos acusam-se mutuamente de terem retrocedido em suas propostas. ?A oferta da UE corresponde ao nível de ambição daquela que o Mercosul nos enviou em 24 de setembro?, disse a porta-voz de Lamy, segundo o jornal espanhol Expansión. Em Brasília, a visão continua a ser - como já ocorre há algum tempo -, a de que o próximo passo para destravar a negociação deve ser dado pela UE. E os diplomatas dizem não ter havido retrocesso, além de, nos últimos tempos, o Mercosul ter melhorado sua proposta, sem contrapartida européia. De acordo com Arslanian, as condições que o Mercosul colocou em sua oferta já eram conhecidas pelos europeus, e ?não partiram das nossas cabeças?. Segundo ele, foram pedidas de maneira formal pelo setor privado ao Itamaraty. Entre elas estão a de que cotas, oferecidas pelos europeus para o bens agrícolas de maior interesse do bloco sul-americano, sejam administradas pelo países do Cone Sul, e que não aplicadas dadas de forma gradual. Segundo ele, boa parte das condicionalidades ficou de fora da proposta européia.