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Rodovias alagoanas est�o entre as piores

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PATRYCIA MONTEIRO Somando o percentual relativo às rodovias em péssimo estado, com as ruins e as deficientes ? segundo os critérios de geometria, sinalização e pavimento da Confederação Nacional de Trânsito ?, pode-se dizer que Alagoas está entre os três estados com as piores estradas da Região Nordeste. Com 92,8% de suas rodovias federais em mau estado de conservação, os estados do Piauí e Ceará empatam no primeiro lugar entre os piores. Alagoas vem logo em seguida, com 89,2%, com estradas que oferecem pouca segurança no transporte de mercadorias e pessoas. Entretanto, o Estado alagoano é aquele que detém o maior percentual de estradas consideradas péssimas pela CNT no Brasil ? 33,4%. Dos 709km pesquisados, 24,1% foram considerados ruins e 31,7% deficientes. Apenas 10,7% dos trechos foram considerados bons ou ótimos. Embora seja observada uma ligeira melhora na avaliação de 2003, a comparação não é válida porque foram acrescentados novos trechos na análise da CNT em Alagoas. Ano passado foram avaliados 629km de estradas. Este ano, foram pesquisadas, no Estado, as BRs 101, 104, 110, 316, 423 e 424. A pior delas, segundo o relatório de 2004, é a BR-101, com 252km pesquisados. A segunda pior é a BR-316, com 231km pesquisados. Os pavimentos dos trechos da BR-104 e da BR-423 foram considerados ótimos pelos técnicos da CNT. As principais críticas feitas às rodovias federais que cruzam Alagoas são direcionadas à sinalização e à geometria. ?A avaliação negativa do traçado observa que algumas rodovias são antigas e não foram muito bem planejadas?, diz um dos técnicos da CNT. Em Alagoas, 17,9% do pavimento (cerca de 127km) é considerado de péssima qualidade, enquanto 31,6% foi considerado ótimo (cerca de 224km). Segundo Edinaldo Afonso Marques de Melo, professor de estradas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a precariedade das rodovias do Estado se dá porque os investimentos realizados nos últimos anos estão aquém das necessidades existentes. ?O pior de tudo é que falta gerenciamento na execução do projeto para garantir um maior controle tecnológico?, dispara Melo, que também atua como consultor na área. Em sua opinião, sem a garantia de que o que foi planejado será executado, o resultado e a durabilidade da obra ficam muito a desejar. ?O ideal seria o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) fazer a fiscalização das obras?, afirma. ?Entretanto, o órgão aqui no Estado está totalmente dilapidado e sem condições de exercer este papel?, diz o engenheiro civil. Ele discorda do critério de geometria observado pela CNT. A seu ver, o traçado das estradas são na maioria das vezes bem planejados como soluções, levando em consideração a topografia das localidades. ?Em Alagoas, só me recordo de um único trecho, localizado em São Miguel dos Campos, onde a geometria precisaria ser modificada. Neste ponto crítico, é verificada uma certa instabilidade da estrada?, analisa. Por outro lado, Edinaldo Afonso Marques de Melo concorda com a má avaliação obtida por Alagoas no quesito sinalização. ?De fato, nossas rodovias são muito mal sinalizadas. Esse é um outro aspecto que denota a má execução dos projetos de engenharia, afinal, os custos com a sinalização não representam nem 3% do orçamento total das obras?, explica. Na avaliação do professor, outro problema das estradas locais é a falta de manutenção. ?Uma obra viária deve ter a pretensão de durar de 10 a 25 anos. Mas a longevidade de uma estrada só está garantida se houver um bom projeto, uma obra bem executada e uma manutenção periódica. Aqui, em Alagoas, não há nem sequer um posto de pesagem para observar se os veículos estão transitando com carga acima da média estabelecida?, conta. De acordo com Melo, o governo do Estado deveria zelar mais pelo patrimônio rodoviário de Alagoas. ?Sem estradas não há desenvolvimento. Nenhuma empresa irá querer se instalar em um estado onde as rodovias prejudicam sua competitividade?, diz. O consultor estima que, para recuperar e melhorar os 1,6 mil quilômetros que compõem a malha viária do Estado, seriam necessários cerca de R$ 600 milhões em investimentos. De onde poderiam vir os recursos? Edinaldo Marques de Melo sugere: ?do dinheiro arrecadado com a Cide?, responde, mencionando a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ? um imposto recolhido desde 2002 a cada compra de combustíveis. Em 2002, foram arrecadados R$ 7,2 bilhões com a contribuição. Ano passado foram R$ 7,6 bilhões. A projeção para este ano é a de que o imposto recolha 8,3 bilhões.

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