Economia
Banco desembolsa metade de seu or�amento
Nos primeiros nove meses deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou pouco mais da metade - 54,7% - do total de recursos previstos no orçamento da instituição para 2004. Segundo o Boletim de Desempenho do banco, divulgado na última semana, os desembolsos de janeiro a setembro somam R$ 25,9 bilhões. O orçamento é de R$ 47,3 bilhões no ano. ?O último trimestre é sempre o mais forte em desembolsos, pois muitos projetos que estão em análise terão os recursos liberados ainda neste ano?, afirmou o superintendente da Área de Planejamento do BNDES, Maurício Piccinini. ?Eu não posso dizer que vai dar (para liberar o orçamento previsto), mas eu diria que nós gostaríamos que desse?. Apesar de estar ainda longe do orçamento total, os recursos liberados até setembro pelo BNDES são 48% superior ao mesmo período do ano passado, quando atingiram R$ 17,5 bilhões. E são 25,9% superiores aos desembolsos de janeiro a setembro de 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, cuja soma foi de R$ 20,7 bilhões. Em setembro de 2003, o banco tinha liberado 52,39% do orçamento e, mesmo assim, conseguiu chegar ao final do ano com todos os recursos aplicados. A diferença é que o orçamento era de R$ 33,4 bilhões e passou para R$ 47,3 bilhões neste ano - um incremento de 41,6%. Em 2002, o orçamento era de R$ 28 bilhões e, em setembro, 73,93% já estava em poder das empresas financiadas. O presidente do BNDES, Carlos Lessa, vem reiteradamente reclamando que não estão chegando grandes pedidos de investimentos. Piccinini afirmou que o banco tem bons projetos em áreas como siderurgia, papel e celulose, petróleo e gás, energia elétrica, transportes e telecomunicações. ?Mas outros setores industriais, como bens de consumo duráveis e não-duráveis, que são mais voltados para o mercado interno, ainda não apareceram?, completou. Para o diretor da Área de Indústria do banco, Fábio Erber, uma das causas é o fato de a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) estar, na avaliação da cúpula da instituição, muito alta. A grande maioria dos financiamentos do BNDES, principal agente financeiro para créditos de longo prazo no país, é atrelada à TJLP. A taxa está atualmente em 9,75% ao ano. O BNDES defende que ela caia para 8%. A reclamação de Erber, também já feita por Lessa, mostra mais uma divergência entre o BNDES e os responsáveis pela política econômica. A taxa é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda), Guido Mantega (Planejamento) e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. ?O custo do investimento continua alto, e o empresário, provavelmente, ainda tem dúvidas quanto à sustentabilidade do crescimento?, disse Erber. ?Por isso, devemos reduzir o custo básico, que é a TJLP, para dar um sinal positivo de confiança ao investidor?. Ele defende ainda que a taxa só possa mudar anualmente e não trimestralmente, como ocorre hoje. ?Ao ser trimestral, ela introduz um elemento de incerteza empresarial?. O CMN define a taxa baseado na expectativa de inflação futura e no risco Brasil. Já o superintendente da Área de Planejamento do BNDES, Maurício Piccinini, disse que uma prova de que está aumentando a disposição do empresariado em realizar novos investimentos é o incremento de 150% nas consultas recebidas pela instituição de janeiro a setembro deste ano em comparação a igual período de 2003.