Economia
Embora modesto, porto atende necessidades
CRISTINA LIMEIRA Enquanto as estradas que cortam Alagoas estão em situação precária, o Estado possui um porto e um aeroporto que, muito embora de dimensões relativamente modestas, atendem à necessidade de entrada e saída de mercadorias. Situado na capital, entre as praias de Pajuçara e Jaraguá, é por intermédio do Porto de Maceió que é embarcado todo o açúcar exportável para os Estados Unidos, para a Rússia e para a Europa. Também é por intermédio do Porto que o Estado recebe a importação de fertilizantes provenientes da África, da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos, assim como o trigo produzido na Argentina e consumido no Estado. Enquanto a substituição da via rodoviária pelo aeroporto é considerada inviável, face aos custos, o porto, dependendo de sua modernização, que continua no papel, tem tudo para se tornar uma alternativa. Com o objetivo de sair de sua condição tipicamente graneleira, a administração do porto vem desenvolvendo nos últimos anos estratégias para alavancar a movimentação de contêineres em seus pátios. Em 2002, o porto movimentou 34.478 mil toneladas de cargas contêinerizadas; em 2003, 42 mil toneladas; e, este ano, a movimentação registrada até o mês de junho chegou a 37 mil toneladas de carga, atendendo às expectativas traçadas. O grande responsável por essa performance é a Braskem, a maior indústria de cloro e soda da América Latina, que substituiu o transporte rodoviário por cabotagem, para enviar o PVC (policloreto de vinila) produzido em Alagoas para o Sul e Sudeste do país. A opção da empresa pelo novo modal foi adotada em função de uma parceria envolvendo o porto, os estivadores e os operadores do transporte marítimo e a vantagem em relação ao transporte rodoviário, de acordo com o administrador do porto, Domício Silva, está no preço, altamente competitivo. Outra vantagem observada é a falta de concorrência, acirrada no transporte rodoviário, principalmente durante a safra da cana-de-açúcar. A tabela especial de preços por contêiner movimentado, a que a Braskem teve direito, foi a alternativa adotada pelo porto para atingir o seu objetivo desejado e atrair um maior número de clientes. A tabela tem sido aplicada por autorização especial do Conselho de Autoridade Portuária (Cape) do Ministério dos Transportes e garante até 50% de desconto sobre a tarifação cheia. Além da Braskem, outras cargas responsáveis pela performance do porto são o arroz, importado de outros estados, e o trigo argentino. Segundo Domício Silva, já existe até uma linha de navegação periódica da Argentina até Maceió. A rota foi fechada em setembro de 2003 e até setembro deste ano foram movimentados cerca de 2,5 mil contêineres. ?Na semana passada, conseguimos aprovar no Cape, por mais seis meses, a redução da tarifa, mantendo assim a mesma rota?, anima-se o administrador do porto. No ano passado, a movimentação de contêineres representou 1,47% da movimentação de cargas do porto. Até junho deste ano, chegou a 2,22%. Mas a tarifação especial, por si só, não é o suficiente para alavancar grandes movimentações no Porto de Maceió. A sua modernização, que inclui a construção de um terminal de contêineres, orçado em R$ 54 milhões, é que vai permitir sua inclusão em outras rotas comerciais e solidificar a modal marítima como opção de transporte de cargas para Maceió. O projeto foi incluído no Orçamento Geral da União em 2001 e as obras foram iniciadas no mesmo ano. Até agora foram investidos R$ 18 milhões e, de acordo com o administrador Domício Silva, estão previstos mais R$ 5 milhões para serem liberados ainda este ano. O novo pátio terá aproximadamente 26 mil metros quadrados, para um cais de 407,6 metros linear e, além da movimentação de contêineres, servirá, também, de estação de passageiros. Após as obras, o porto espera movimentar 80 mil contêineres/mês. Até lá, o setor sucroalcooleiro continua sendo o principal cliente.