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Ind�stria repassa reajustes para consumidores

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O aumento real nos salários dos trabalhadores é a mais recente justificativa da indústria para promover uma nova onda de reajustes de preços neste fim de ano. Apesar disso, analistas não esperam grande impacto na inflação porque a renda deprimida impede reajustes generalizados. As montadoras, as autopeças e as fundições, que acertaram com os trabalhadores aumento real de salários de 4%, aumentaram em 2%, em média, os preços dos produtos só por conta do dissídio. As indústrias de artefatos de borracha, que concederam aumento real de 1% em junho, também já repassaram esse custo para os preços dos clientes do mercado de reposição de peças. Os setores têxtil, plástico, eletroeletrônico e de materiais não-ferrosos aguardam o fim da negociação salarial com os trabalhadores para efetuar os reajustes. Os fabricantes de eletroeletrônicos, que já elevaram seus preços entre 7% e 11% nos últimos meses, informam que o impacto dos salários nos custos será repassado para os produtos - os percentuais ainda não foram definidos. ?A questão salarial não foi contabilizada ainda, mas pesa nos nossos custos. Isso é necessidade, não oportunidade?, diz Paulo Saab, presidente da Eletros, que reúne as empresas do setor.Os acordos salariais entre metalúrgicos e montadoras são referência para outros setores. É muito provável que as categorias que estão em negociação e têm data-base até dezembro - caso dos químicos, dos metalúrgicos e dos petroleiros - também tenham aumento real de salário. E os preços dos produtos ligados a esses setores deverão subir, segundo informam representantes das indústrias e dos trabalhadores. Claudio Vaz, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), diz que o aumento de produtividade pode compensar a alta de custos. ?O aumento real de salário com aumento de produtividade não é custo para a empresa?, afirma. O ganho real de 4% nos salários dos trabalhadores resultou em aumento de preço de 1,9% a 2% nos carros e nas autopeças, segundo Drausio Rangel, negociador das autopeças para assuntos trabalhistas. Desde 1995, os metalúrgicos do setor não tinham aumento real. ?Neste ano, com o crescimento da economia, ficou difícil não passar uma parte desse ganho para os trabalhadores?. As montadoras venderam de janeiro a setembro 13,8% a mais do que em igual período de 2003. Até setembro, as exportações de carros somaram US$ 5,85 bilhões, expansão de 49,5%. A pressão de custos industriais ocorre desde o início do ano, principalmente por conta da alta de preços de produtos siderúrgicos e de derivados de petróleo. GM e Fiat reajustaram em 17% os preços neste ano. A Ford, em 14%. ?Conseguimos absorver os aumentos de custos de insumos até julho. Agora não dá mais. Precisamos repassar para os nossos preços os reajustes de matérias-primas e de salários?, afirma Francisco Carlos Miguel, presidente do Lanifício São Francisco, que faz tecidos para camisas e calças. Em agosto, o lanifício elevou os preços entre 1% e 2%. Em setembro, em 3%. Até o final do ano, os preços devem subir mais 8% a 10%, já levando em conta também o dissídio da categoria.

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