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Merconorte � alternativa para economia do NE

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ANDREZA MATAIS E RAQUEL RIBEIRO ALVES Brasília - O Parlamento Latino Americano (Parlatino), que reúne parlamentares da América Latina e do Caribe, começou a fortalecer uma idéia que pode resultar no desenvolvimento dos estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil. O projeto é ambicioso, mas já recebeu o apoio dos países envolvidos. Batizado provisoriamente de Mercado Comum do Norte (Merconorte), a idéia é promover a integração econômica dos quatro países da fronteira norte da América Latina (Venezuela, Colômbia, Guiana e Equador) com o Norte e Nordeste brasileiro, a exemplo do Mercosul, que abrange Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Na última semana, o presidente do Parlatino, deputado federal Ney Lopes (PFL-RN), um entusiasta da medida, apresentou o projeto durante um encontro parlamentar no Congresso Nacional da Colômbia. Ele conta que a ?idéia foi muito bem recebida pelos colombianos, que se mostraram interessados em discuti-la?. ?A Colômbia está integrada na fronteira Norte e tem muito interesse no Merconorte. Eles acreditam que a medida possa ajudar a combater o narcotráfico, com a criação de emprego e renda para a população?, disse por telefone, de Bogotá, à Agência Nordeste. O próximo passo para fortalecer a proposta será um evento realizado no Brasil com todos os interessados. Lopes revelou que já conversou a respeito com o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), que se mostrou interessado em abrigar a reunião. ?No início do próximo ano vamos levar essa idéia adiante?, disse. ?Nós queremos que os participantes do Mercosul também estejam presentes?, complementou. Obstáculos Se viabilizado, acredita o presidente do Parlatino, o projeto poderá mudar a realidade das regiões abrangidas. ?Vai significar mais empregos, maior possibilidade de aumento de renda, pagamento de impostos e progresso social para o Norte e o Nordeste do Brasil. O Merconorte vai atingir 60 milhões de pessoas?, afirmou. Ele explica que o Merconorte seria uma zona de livre comércio, por meio de tratados comerciais entre os países que fazem fronteira ao Norte com o Brasil. O deputado reconheceu que as dificuldades que cercam o projeto são muitas. A começar por convencer os governos dos países abrangidos a encamparem a proposta. Com relação ao Brasil, o presidente do Parlatino acredita que partem do próprio presidente Lula os argumentos favoráveis. ?O Lula não quer a integração da América do Sul? Ela tem que partir da integração comercial. Integração que já existe com o Sul (Mercosul) e agora precisa ser ampliada para o Norte?, disse. O obstáculo mais difícil de ser superado, entretanto, é colocado pelos estados que não são abrangidos pelo Merconorte. No Brasil, por exemplo, já se espera uma chiadeira dos estados Centro-Sul, por não estarem contemplados nos tratados comerciais que envolverão o Merconorte. Ney Lopes reconhece as dificuldades, mas reage a elas. ?É claro que isso é um obstáculo, mas é uma questão que se resolve com esclarecimento. O Norte e o Nordeste brasileiro precisam abrir fronteiras de comércio internacional que ficam impossíveis para o Mercosul?, afirmou. Ele salientou que a Guiana, por exemplo, é um dos países que importam ?zero produto? do Brasil. ?Hoje a fronteira Norte com o Brasil é inóspita. É preciso estimular essa área. Nós não queremos concorrer com o Mercosul, nem mesmo desestabilizar os estados do Sul e Sudeste?,disse. Outro argumento para quebrar as resistências é que produtos que não sejam produzidos pelo Norte e Nordeste e que os países da fronteira Norte porventura demandem serão trazidos do Centro-Sul do Brasil. Um exemplo citado por ele é a carne. Já o Nordeste poderia se tornar um grande exportador de álcool combustível para a Venezuela, Colômbia, Guiana e Equador. ?Estes países começam a querer utilizar o álcool como combustível. Embora São Paulo seja um grande produtor de cana-de-açúcar, abre-se assim um enorme mercado de exportação para desenvolver os estados mais pobres do País?, disse. Infra-estrutura Os problemas de infra-estrutura que dificultam o progresso nas regiões Norte e Nordeste, no lado brasileiro, na avaliação de Ney Lopes, não serão um empecilho para a implantação do Merconorte. ?Quando tiver perspectiva de comércio, todo mundo se prepara. O problema é criar condições de comércio. É como uma estrada. Logo aparecem os hotéis, os restaurantes, os empregos?, ponderou. Ney Lopes citou como exemplo da capacidade produtiva do Nordeste a produção de mel de abelha. ?Hoje, o Nordeste é o maior produtor, só precisa de estímulo para exportar?, disse.

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