Economia
Colheita s� vai atender � �demanda de 15 dias do Estado
MAIKEL MARQUES Introduzidas no solo no início de julho, as primeiras sementes já rendem grãos vistosos e dentro dos padrões de comercialização exigidos pelo mercado consumidor. A primeira colheita mecanizada e em larga escala começou esta semana pela manhã, numa propriedade na zona rural de Arapiraca. Embora enfrentasse um pouco de umidade, o proprietário da área já festejava uma produtividade média de 50 sacas de soja por cada hectare. Cada saca tem 60 quilos, o que significa produtividade da ordem de três toneladas. Para se ter uma idéia da viabilidade da cultura, a produção estimada deste ano não supriria a demanda do principal consumidor da região por mais do que 15 dias. Segundo o agrônomo Adailton Barbosa, as empresas que criam frangos para produzir ovos precisam importar soja de outras regiões do país. ?O principal consumidor desse produto em Arapiraca importa 20 mil sacos por mês?, diz o agrônomo. Sertão Os pesquisadores alagoanos também festejam a viabilidade da soja no Sertão de Alagoas. O primeiro campo de produção da região está na cidade de Olho D?Água das Flores e pertence ao produtor Humberto dos Anjos, um dos proprietários da Algodoeira Sertaneja, Distribuidora Sertaneja e do Supermercado Via Box. No experimento sertanejo, a produtividade ficou em torno das duas mil toneladas por hectares. ?Levando-se em conta as dificuldades climáticas, a média de duas toneladas é muito boa?, explica Hibernon Cavalcante. A reportagem da GAZETA acompanhou, em Arapiraca, a colheita dos primeiros grãos da região Agreste. A produção saiu do campo para abastecer a Luna Avícola, empresa sediada em Arapiraca e uma das três em todo o Estado com capacidade para transformar os grãos colhidos no campo em farelo de soja e óleo de soja. Segundo explica um pesquisador da Secretaria de Estado da Agricultura, o grão precisa ser transformado em farelo através do processo de esmagamento para que então seja destinado à alimentação das aves. ?A transformação acontece através da moagem num equipamento chamado de Extrusora?, explica o agrônomo Hibernon Cavalcante. Outros dois equipamentos semelhantes estariam parados em Viçosa e União de Palmares por um motivo muito simples: falta de grãos produzidos em Alagoas para beneficiamento. Isso acontece porque a maioria dos produtores de soja do Centro-Sul impõe preço elevado através da venda do farelo de soja já beneficiado. Para suprir a demanda de 50 mil toneladas de soja de Alagoas, os criadores de aves geralmente importam o grão de Estados como Bahia. Incluídas as despesas com frete, a saca de soja baiana não chega em Alagoas por menos de R$ 45,00. No caso da produção alagoana, a estimativa de preço pago aos produtores gira em torno dos R$ 40,00 pela saca. A semelhança de valores é uma forma de incentivo à produção alagoana. A lucratividade média de quem colhe agora os primeiros grãos de soja é da ordem de R$ 40%, depois de descontadas as despesas com insumos agrícolas e mão-de-obra.