Economia
Faltam navios para embarque de mercadorias
PATRYCIA MONTEIRO Observando a lista de empresas exportadores de Alagoas presente no relatório de exportação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), observa-se que o segmento de pedras decorativas vem crescendo no Estado. Ano passado, a Decorart entrou na balança comercial fazendo suas primeira vendas para o mercado estrangeiro, que somaram US$ 19 mil. Este ano foi a vez de a Granordeste fazer suas primeiras operações de exportação. Esse mercado totaliza US$ 117 mil em vendas internacionais. A Companhia de Cimentos Atol, do grupo português Cimpor, foi outra que aumentou sua participação na balança comercial do Estado. Dos US$ 788 mil comercializados com o exterior em 2003, a empresa este ano praticamente dobrou seus valores negociados e até setembro já exportou US$ 1.470 milhão. Inaugurado sua participação na pauta de exportações este ano, duas empresas se destacam pela sua entrada no mercado internacional: a Araforros, de Arapiraca e a Fábrica da Pedra, localizada em Delmiro Gouveia. A Araforros, empresa fabricante de forros, perfis e portas cuja matéria-prima é o PVC, iniciou sua busca pelo mercado externo expondo em feiras de construção civil. ?Nelas começamos a fazer nossos primeiros contatos com delegações internacionais?, diz Alexandre Beserra, gerente comercial. Valeu a pena, seu primeiro negócio fechado foi com Cuba para quem está comercializando forros para teto. Agora, a empresa se prepara para enfrentar o exigente mercado americano. ?Não precisamos fazer nenhuma adequação ao nosso produto para enfrentar o mercado externo ? afinal nossa empresa é a única no Nordeste que tem certificação da ABNT. Entretanto, para entrar nos Estados Unidos, tivemos de buscar uma nova certificação ? a Underwriters Laboratories?, conta. A única dificuldade encontrada pela Araforros foi no momento de embarque de mercadorias. A encomenda cubana teve de embarcar pelo porto de Suape e ainda enfrentou fila de espera. ?Faltam navios para fazer o transporte?, explica. Com oito anos de existência, a Araforros foi construindo sua base exportadora sem precipitações. ?Nossa estratégia era crescer no mercado nacional para depois alçar vôos mais altos?, relembra Beserra. Há três meses, a empresa inaugurou sua segunda fábrica em Manaus. Hoje, os produtos da sua marca podem ser encontrados nos quatro cantos do país, exceto no Acre e no Mato Grosso. A Araforros tem 40 representantes comerciais, quatro lojas atuando no varejo e um centro de distribuição em São Paulo e emprega 220 funcionários. Boa parte da matéria-prima utilizada na fabricação de seus produtos vêm na unidade alagoana da Braskem. Segundo Alexandre, a vontade de exportar era antiga e a principal motivação eram as margens de lucros decorrentes da diferença cambial. ?Atualmente, as exportações representam 5% do nosso faturamento. Em três anos, queremos que as vendas para o exterior cheguem a 30%?, diz cheio de expectativas.