Economia
Cultura de exporta��o � nova no Estado, diz especialista
PATRYCIA MONTEIRO Com perfil econômico semelhante ao alagoano, é natural que se questione: Por que o Rio Grande do Norte tem tido tão bom desempenho nas exportações? O Estado foi o que mais cresceu na balança comercial nordestina, com 121,62% de variação, registrada no período de janeiro a setembro deste ano, comparada com a do ano passado. Observando o relatório do Mdic, nota-se que o Estado exportou um volume maior de óleos brutos de petróleo e ainda foi favorecido pela valorização do produto no mercado internacional. Apenas com a exportação desta matéria-prima, o estado potiguar saltou ? obteve US$ 233,7 milhões nas operações de exportação, contra US$ 26,8 milhões do ano passado. Mas, acreditar que os resultados do Rio Grande do Norte só devem ao petróleo seria um equívoco, afinal os pescados também tiveram um bom desempenho. Aí, cabe uma nova pergunta: Por que Alagoas, um estado reconhecido pela abundância das águas, não tem nos pescados um dos produtos fortes de exportação? ?Porque falta uma legislação específica que permita o desenvolvimento da aqüicultura alagoana?, diz Eligius Hoen, gerente de Comércio Exterior do Sebrae. Segundo o especialista em exportação, a pauta de produtos alagoana é bem diversificada ? temos 78 artigos listados pelo Mdic. O que falta, em alguns casos, é uma larga produção para atender à demanda existente de produtos. ?A cultura de exportação é um fenômeno recente no Estado de Alagoas. Ainda esbarramos em entraves já superados por outros estados?, explica Eligius. De acordo com ele, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte tiveram uma sucessão de governantes com visão empresarial, o que induziu à busca pela diversificação de produtos na pauta de exportação dos estados conterrâneos. ?Esses estados já vinham diversificando suas atividades econômicas antes de existir o conceito de Arranjos Produtivos Locais, incentivando a criação de pólos de desenvolvimento e mais tarde clusters?, conta. Nos pólos, a idéia de desenvolvimento estava baseada na existência de uma empresa-mãe, geralmente de grande porte, que alavancava uma rede de pequenos fornecedores e indústrias de menor porte atreladas às suas atividades. Os clusters já seriam o que os especialistas chamam de Sistema Produtivo Local ? uma evolução dos Arranjos, quando os núcleos produtivos não dependem mais de políticas públicas para se desenvolver.