Economia
Flores tropicais: exporta��es estimulam produ��o
Cristina Limeira Um dos produtos que têm contribuído para diversificar a pauta de exportação alagoana são as flores tropicais. Elas começaram a ser enviadas para o exterior há pouco mais de quatro anos, por intermédio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL), para participar de feiras temáticas, mas sem cobertura comercial. A primeira venda comercial foi feita durante um desses eventos para uma distribuidora em Londres e motivou outros contratos com distribuidores de Portugal. Segundo o gestor do projeto de flores tropicais do Sebrae, Manoel Ramalho, a remessa serviu como experiência para o setor e estimulou o espírito empreendedor nos produtores. Apesar das boas condições climáticas do Estado, que favorecem o plantio, para poder viabilizar o intercâmbio com os empresários internacionais e se manter no mercado externo, os produtores tiveram de aperfeiçoar as técnicas de cultivo e de produção e investir na capacitação de seu pessoal. Espírito empreendedor Quando a primeira remessa de flores tropicais cultivadas em solo alagoano embarcou com destino à Europa, apenas sete mulheres produtoras exerciam atividade em larga escala no Estado. Elas ocupavam pedaços de terra em propriedades exploradas por seus maridos para o cultivo da cana-de-açúcar e para a pe-cuária e nem sonhavam em ganhar o mundo. A produção toda ocupava apenas cinco hectares de terra e as espécies cultivadas não passavam de 14 variedades. Atualmente, Alagoas conta, extra-oficialmente, com 97 produtores que cultivam mais de 150 espécies de plantas em 183 hectares distribuídos na Zona da Mata. O Estado é hoje o principal produtor brasileiro de plantas tropicais, com volume de 9,4 milhões de hastes comercializadas no ano passado, e destina 90% de suas flores para estados das regiões Sul e Sudeste do país. Os outros 10% são enviados regularmente para a Holanda, Portugal, Itália, Estados Unidos e mais recentemente para o Chile. Além de aperfeiçoar as técnicas de cultivo e de produção, os produtores se organizaram em associações e em cooperativas e hoje se dedicam de corpo e alma aos negócios. O maior gargalo da atividade é a falta de irrigação e o objetivo principal do segmento é conquistar o selo verde, concedido a produtos produzidos sem o uso de agrotóxicos. ?Mas elas já estão adotando a fertiirrigação e logo teremos flores tropicais orgânicas?, aposta Ramalho. Para fortalecer o segmento, o Sebrae, em parceira com o governo do Estado e com instituições públicas e privadas, está desenvolvendo um projeto com todos os produtores locais. O objetivo é aumentar a produção das flores tropicais e ampliar sua participação na balança comercial. A atividade é predominantemente feminina e, mesmo sendo resistentes, as flores ganham o mundo de avião, via aeroporto Zumbi dos Palmares.