Economia
Brasil economiza R$ 70 bi para pagar juros
A economia do setor público entre janeiro e setembro superou, em R$ 12,871 bilhões, a meta acertada com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O setor público (União, Estados, municípios e estatais) registrou um superávit primário (receita menos despesas, excluídos os gastos com juros) de R$ 69,771 bilhões nos nove primeiros meses do ano. A economia de recursos feita para o pagamento de juros é equivalente a 5,6% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas em um país). A meta com o FMI, acertada no ano passado, previa uma economia de R$ 56,9 bilhões no mesmo período (4,25% do PIB). E de R$ 71,5 bilhões até o final do ano. No final do mês passado, a meta do superávit foi elevada em 0,25 ponto percentual, para 4,5% do PIB. O valor ajustado da meta deverá ficar em torno de R$ 75,5 bilhões, segundo estimativa do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. No mês passado, o superávit primário ficou em R$ 6,004 bilhões, abaixo dos R$ 10,9 bilhões economizados em agosto. O superávit costuma cair no desenrolar do ano porque nos primeiros meses o governo ainda está planejando os gastos. Em setembro, o Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central contribuíram com o superávit primário de R$ 4,1 bilhões para o resultado consolidado, enquanto os governo estaduais e municipais fizeram uma economia de R$ 1,94 bilhão. As estatais tiveram um superávit de apenas R$ 1 milhão. No acumulado do ano, a economia foi resultado de um superávit primário de R$ 47,503 bilhões do governo central, de R$ 15,153 bilhões dos governos regionais e de R$ 7,115 bilhões das estatais. No mês passado, os gastos com juros nominais somaram R$ 11,498 bilhões. O resultado primário obtido pelo setor público consolidado, de R$ 6,004 bilhões, não foi suficiente para cobrir toda a despesa com juros do mês, o que resultou em um déficit nominal das contas públicas de R$ 5,454 bilhões no período. Entre janeiro e setembro, o setor público consolidado teve despesas com juros nominais no valor de R$ 95,284 bilhões, que também não foram totalmente cobertas com o superávit primário do período (R$ 69,771 bilhões). Com isso, o déficit nominal das contas públicas no acumulado do ano soma R$ 25,513 bilhões, ou 2,05% do PIB. A dívida líquida do setor público atingiu em setembro R$ 940,5 bilhões, o que representa 53,7% do PIB, uma melhora em relação ao mês passado, quando a dívida somou R$ 941,3 bilhões (54% do PIB). No ano, a relação dívida/PIB já caiu cinco pontos percentuais.