Economia
Educa��o a dist�ncia atinge 3 milh�es de brasileiros
A educação a distância (EAD) já atinge quase três milhões de brasileiros, segundo levantamento do portal e-Learning Brasil da Micropower, que identificou 388 organizações que usam o sistema no país, 13% a mais que no ano passado. Isso faz do e-learning um dos segmentos na área de educação continuada e treinamento com maior taxa de crescimento. O presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Frederic Michael Litto, destaca que os maiores usuários de EAD no Brasil são empresas que oferecem cursos para cerca de 1,5 milhão de pessoas. Em segundo lugar vem o Telecurso 2000, da Fundação Roberto Marinho, que possui 650 mil alunos de ensinos fundamental e médio (antigos 1º e 2º graus) ao ano, que estudam por meio da TV e de material impresso disponível nas bancas. Os cursos por correspondência, existentes no país há mais de 60 anos, ocupam a terceira posição. Os institutos Monitor e Universal Brasileiro têm 100 mil alunos ao ano, de acordo com Litto. ?Nas universidades credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) são 95 mil alunos e os cursos não autorizados devem atender mais de 100 mil pessoas via e-learning?, calcula. Obstáculo Para o presidente da Abed, o maior obstáculo ao desenvolvimento da EAD no país é o excesso de plataformas. ?Os preços variam de US$ 30 mil a US$ 2 milhões, fora os gratuitos baseados em software livre. Pesquisa da USP mostra que 55% das universidades usam plataformas desenvolvidas internamente. Ficam reinventando a roda, o que eleva o custo?. A EAD busca romper o conceito de separação física entre aluno e professor e aproximá-los, via Internet, videoconferência ou sistemas inte-rativos de televisão. ?Nessa fase de transição, convivem escolas com ambientes de aprendizagem dos séculos XIX, XX e XXI?, afirma Litto. No Brasil, a EAD é uma alternativa à formação regular desde 1996, quando passou a ser regulada pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB). ?A regulamentação do assunto exige cuidados como flexibilidade e equilíbrio para não vulgarizar a modalidade e não travar a disseminação do ensino a distância?, aconselha Litto. Qualificação Até 2007, todos os professores de ensinos fundamental e médio terão de completar um curso superior. Por isso a ênfase dada pelo governo ao uso do ensino a distância para formar os que ainda não têm diploma. No Plano Plurianual (PPA) 2003/2007 R$ 5 bilhões foram destinados ao EAD. ?No Brasil são 250 mil professores que precisam se qualificar. Aproximadamente dois terços deles já estão sendo capacitados em programas estaduais financiados pelo MEC?, conta Litto. Mais de 30 iniciativas de criar uma universidade aberta no país fracassaram, ele continua. A primeira delas ocorreu na década de 1970 com Darcy Ribeiro. ?Se o Brasil quer ser competitivo precisa aumentar o número de jovens nas universidades. A única saída é a EAD. Sem necessariamente usar a Internet, mas a TV, que tem 92% de penetração no país?, diz o presidente da Abed lembrando que apenas 9% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos freqüentam universidades, enquanto na Coréia do Sul, a porcentagem é de 85%.