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Mercado aposta em alta de 0,5 ponto na Selic

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O aperto na política monetária, que em dois meses elevou a Selic de 16,25% ao ano para 16,75%, deve continuar no curto prazo e pode levar a um novo aumento de 0,50 ponto percentual na taxa em novembro. Esta é a expectativa que nasceu e cresceu na última sexta-feira entre profissionais do mercado financeiro, depois de analisarem a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O economista-chefe da Fator Corretora, Vladimir Caramaschi, passou a admitir um aumento maior do que 0,25 ponto percentual. ?Se tivesse que fazer uma aposta seria pelos 0,50 em novembro?, disse. Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimento, fez coro. ?Se o cenário não se alterar drasticamente e as variáveis se mantiverem as mesmas, o aumento deve ser de 0,50?. A ata do Copom, além de reiterar fatores de riscos já conhecidos e que podem desviar os preços da trajetória de convergência para a meta de inflação de 2005, ajustada para 5,1%, dá destaque especial ao petróleo. O aumento dos preços do produto é tratado como ?risco potencial? pelo Copom. ?No cenário doméstico, continua indefinida a trajetória de realinhamento dos preços e aumenta a possibilidade de que o impacto desse realinhamento ? na medida em que possa ser postergado, mas não evitado ? acabe contaminando mais fortemente a inflação de 2005?, afirma a ata. Inflação O documento também demonstra preocupação com as projeções para a inflação de 2005. A previsão feita pelo mercado, antes da reunião do Copom, foi de 5,82%, uma revisão para cima da estimativa anterior (5,7%). Para o economista-chefe da SulAmérica Investimento, Newton Rosa, as expectativas ruins foram determinantes na decisão do Copom. ?O Banco Central tem deixado claro que trabalha para derrubar as projeções do mercado para 2005 e a ata mostra isto?, diz. O próprio documento ressalta que, embora a política monetária seja feita por meio de projeções para a inflação, as expectativas de agentes privados têm impacto sobre os resultados da política monetária. O ritmo forte do crescimento da produção industrial chamou a atenção do Copom. Segundo Luiz Fernando Lopes, economista-chefe do Pátria Banco de Negócios, o temor do BC é de descompasso. ?Para o Copom, o ritmo de crescimento da economia não está compatível com as metas fixadas para a inflação?, afirma. O uso da capacidade instalada, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), chegou a 83,3% em agosto, recorde histórico. O resultado prático da ata divulgada pelo Copom foi elevar as apostas do mercado para a reunião de novembro. Os discursos estavam afinados. Para Vladimir Caramaschi, da Fator, o aumento deve ficar entre 0,25 pp e 0,50 pp. ?Se tivesse que fazer uma aposta seria pelos 0,50?, diz. ?As previsões do mercado divulgadas esta semana estão ainda piores, mesmo com o aumento da Selic, e foram de 5,82% para 5,89%?, justifica.

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