Economia
Vit�ria de Bush favorece exporta��es do Brasil
PATRYCIA MONTEIRO Para o comércio exterior brasileiro, a vitória de George W. Bush foi uma boa notícia. É o que garante o professor César Tejada, do Departamento de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Embora a reeleição do candidato republicano nas eleições presidenciais não traga nenhuma mudança imediata nas exportações brasileiras, a manutenção de Bush na Casa Branca favorece o ambiente de livre mercado e de comércio, beneficiando a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos. ?O problema é que uma das políticas de comércio exterior, como o desenvolvimento da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi colocada de lado pelo governo Bush em favor das políticas antiterroristas priorizadas desde o 11 de setembro?, afirma o especialista peruano na área de relações internacionais da Ufal. De acordo com Tejada, caso o adversário de Bush, o democrata John Kerry, tivesse vencido as eleições era possível que o Brasil enfrentasse dificuldades para comercializar seus produtos no território americano. ?Kerry era um candidato muito vinculado aos sindicatos americanos. Se obtivesse a vitória, provavelmente lançaria mão de uma série de medidas protecionistas para defender a indústria norte-americana? Segundo Tejada, os Estados Unidos são um dos países com o mercado mais aberto do mundo. O maior entrave para a entrada dos produtos brasileiros no mercado americano é que o país é forte nos setores onde a economia americana é mais protecionista, como os segmentos agrícola e siderúrgico. ?Mas, dependendo da estratégia adotada pelas empresas brasileiras, é possível driblar estas barreiras?, diz Tejada, citando o exemplo da Gerdau ? gigante da siderurgia brasileira ? que abriu uma filial nos Estados Unidos para comercializar os seus produtos. Para Tejada, o Brasil deve incentivar mais as exportações de produtos como carros e aviões nos mercados englobados pela Alca, como o México e o Canadá. Entretanto, César Tejada frisa que, em outros setores da economia brasileira e mundial, o governo Bush promete promover fases de instabilidade. ?Principalmente no mercado mundial de petróleo, graças à política intervencionista americana no Oriente Médio, as cotações do barril sofrem variações que interferem no preço do produto, inclusive no Brasil, interferindo na economia local?, diz.