Economia
Infla��o e taxa de juros dominam a semana
Inflação e juro são os assuntos da semana que desembocará em mais um feriadão colado à penúltima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2004. O mercado não tem qualquer dúvida de que o Copom promoverá o terceiro aumento consecutivo do juro básico (Selic) ao final do encontro em 17 de novembro. Mas a análise dos indicadores domésticos que serão divulgados nos próximos dias - além da definição do juro americano pelo Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve - será decisiva para o balizamento da projeção da nova Selic. Um primeiro movimento já ocorreu com as estimativas de alta feita na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Nos primeiros dez dias de negócios seguidos à decisão do Copom de elevar a Selic a 16,75% ao ano, os bancos projetaram um ajuste cravado em 0,50 ponto percentual em novembro. Na retomada dos negócios após o feriado de Finados, porém, a perspectiva de aumento do juro pelo Copom progrediu para 0,60 ponto percentual e chegou a atingir 0,66 ponto percentual na sexta-feira. Operadores resistem a embutir no juro futuro alta de Selic de 1,0 ponto percentual, mas a possibilidade não é descartada e está condicionada, principalmente, a mais um reajuste dos preços dos combustíveis pela Petrobras. Visão prejudicada ?A previsibilidade dos índices de inflação está prejudicada, ante a incerteza quanto ao percentual e ao momento em que entrarão em vigor novos preços dos combustíveis nas refinarias?, diz Fábio Silveira sócio-diretor da MS Consult. Em entrevista, o especialista em inflação explicou a contaminação do preço da gasolina vendida ao consumidor pela escalada do álcool que - na composição do produto final - corresponde a 25% da gasolina que chega às bombas nos postos de distribuição. ?A proximidade do fim da safra de cana-de-açúcar, o aumento do preço internacional do açúcar e maior demanda elevaram o preço médio do álcool em 18,8% em outubro?. Essa variação é a maior, em um único mês, desde abril e é muito expressiva quando comparada aos 2,9% de aumento médio visto em setembro. Repasse possível O analista calcula que esse salto do preço do álcool cria condições para repasse de aproximadamente 3% no preço da gasolina vendida ao consumidor. Postos de abastecimento já elevaram em cerca de 2% os valores da gasolina na semana devido ao aumento do álcool. Fábio Silveira avisa, porém, que a pressão do álcool no item combustíveis deve se estender à primeira e à segunda quadrissemanas do IPC-Fipe de novembro. ?No fechamento do índice no mês a pressão do combustível tende a arrefecer, mas desde que o álcool não avance mais e desde que a Petrobras adie outro ajuste da gasolina e do diesel?. Silveira insiste, contudo, que é improvável que a Petrobras encerre o ano com o reajuste anunciado em meados de outubro, que foi potencializado pelo custo do álcool. Subsídio ou inflação ?O ideal é que a Petrobras eleve os preços nas refinarias o máximo possível e o mais rápido possível. Mas os reajustes prosseguirão em 2005 e, ainda assim, vamos continuar subsidiando os combustíveis porque a defasagem entre os preços domésticos vai persistir?. O subsídio aos combustíveis é medido pela defasagem entre os preços da Petrobras e do mercado internacional. A MS Consult estima essa diferença em 18,2 por cento para a gasolina e em 27,3 por cento para o diesel, mas considera ?o subsídio é a melhor opção para o país que pode ter como alternativa incendiar a inflação e conviver com juro nas nuvens?.