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Usineiros querem ampliar produ��o em 80%

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De olho no mercado mundial de álcool, usineiros planejam investir no aumento da área cultivada de cana-de-açúcar e na instalação de novas destilarias, principalmente na região oeste de São Paulo. A previsão é de que, até 2009, investirão R$ 1,5 bilhão, o que elevará a produção em até 80%, alcançando 67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Os recursos serão aplicados na instalação de até 34 destilarias, sendo 18 em São Paulo e o restante em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás. As lavouras estão ocupando áreas antes destinadas à pecuária. A atividade nessa região de São Paulo atrai investidores do Nordeste, onde já não é possível expandir as lavouras de cana. ?Estamos trocando atividades menos remuneradoras, como a produção de carne, por outras mais rentáveis?, afirma Luiz Guilherme Zancaner, presidente da União das Destilarias do Oeste Paulista (Udop). Segundo informou, outras regiões com tradição na cultura da cana-de-açúcar em São Paulo, como a de Piracicaba e Assis, também não têm mais espaço para expandir a área de produção de cana. O oeste paulista, no entanto, possui terras baratas, clima adequado e infra-estrutura para o desenvolvimento da cultura da de cana-de-açúcar. Há naquela região 37 destilarias instaladas, que moem em torno de 37 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Com os novos empreendimentos, prevê-se que o oeste paulista poderá aumentar a capacidade para até 30 milhões de toneladas. A maior parte dos investimentos será voltada para a produção de álcool, afirma Zancaner. Na sua opinião, o negócio é promissor, com a utilização crescente no mundo do álcool como aditivo à gasolina. ?Não há competidor para Brasil, que desfruta de vantagens comparativas na produção de cana e de álcool?, observa. O grupo alagoano Olival Tenório planeja produzir em São Paulo o mesmo volume que move no Nordeste. Os investimentos em São Paulo começaram há dois anos, com a implantação das lavouras e a compra de uma antiga usina desativada. Foram aplicados R$ 17 milhões na modernização da destilaria Decasa e outros R$ 22 milhões nas lavouras. ?Temos capacidade para produzir até 2,2 milhões de toneladas em Alagoas, mas não há mais terras disponíveis?, afirma Durval Guimarães, diretor-presidente da Decasa. Além disso, ele destaca que no oeste paulista não há tanta competição com outras destilarias - a empresa mais próxima a sua está a 700 quilômetros - e a localização é estrategicamente perto de estados consumidores, como o Mato Grosso, onde há pouca oferta de álcool. ?Vamos produzir o que o mundo precisa?, afirma Guimarães, destacando que ele acredita que os próximos 10 anos serão promissores para o álcool. José Ricardo Severo, técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), diz que além do oeste paulista, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás tendem a receber investimentos. Segundo ele, o preço das terras e a localização estratégica para atender mercados internos com muita demanda é que têm atraído os investimentos para essas regiões. ?A expectativa de exportações crescentes de álcool deve aumentar os recursos aplicados na região?, afirma Severo. Para Gil Barabach, consultor da Safra & Mercado, o setor está vivendo um boom em virtude do mercado interno aquecido e da maior demanda no mercado internacional, com a mistura do álcool à gasolina. Segundo ele, somente este ano, as exportações de álcool devem totalizar 2 bilhões de litros para uma média de 700 mil litros no ano passado.

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