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AL � o maior consumidor de agrot�xico do NE

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PATRYCIA MONTEIRO Levando em consideração os dados da pesquisa do IBGE, observa-se que Alagoas está longe de atender às expectativas do desenvolvimento sustentável. O Estado é o maior usuário de fertilizantes e agrotóxicos do Nordeste - embora existam na região estados com maior área plantada como a Bahia (4,1 milhões de hectares), Ceará (1,9 milhão de hectares), Maranhão (1,3 milhão de hectares) e Pernambuco (1,18 milhão de hectares). Nos 687 mil hectares de área plantada do Estado são usados 118,25 kg/ha de fertilizantes e 1,9 kg/ha de agrotóxicos ? dos quais 1,76 são herbicidas, 0,05 são fungicidas e 0,06 são inseticidas (ver tabela). Só para se ter uma idéia, no Estado baiano, o uso de agrotóxico nas lavouras é de 0,99 kg/ha de agrotóxicos contra 91,41 kg/ha de fertilizantes. Vale ressaltar que, essas substâncias químicas são nocivas ao meio ambiente, aos trabalhadores rurais, à economia local e aos consumidores dos produtos agrícolas em geral. ?O uso de defensivos químicos e, sobretudo de herbicidas, está na contramão do de-senvolvimento sustentável?, afirma Ricardo Ramalho, diretor presidente da ONG Movimento Minha Terra, defensora do meio ambiente. Segundo ele, em Alagoas, as principais atividades que elevam os indicadores de uso de defensivos agrícolas são as culturas de cana-de-açúcar e fumo e também a pecuária. De acordo com Ramalho, essas substâncias químicas defendem a planta cultivada, entretanto destroem a biodiversidade dos ecossistemas locais. ?Os herbicidas matam as vegetações encontradas nas lavouras, assim como répteis e insetos que fazem parte da cadeia alimentar nas áreas cultivadas?. Para Ramalho, o desequilíbrio ecológico se torna ainda mais preocupante porque o uso intensivo e prolongado de fertilizantes e agrotóxicos promovem também uma contaminação dos lenções freáticos e águas subterrâneas. ?Isso sem mencionar que estes defensivos são geralmente importados, o que causa uma certa dependência de mercados exógenos cujas oscilações se refletem muitas vezes nos preços finais que são repassados aos consumidores?, analisa. Orgânicos Ramalho explica que existem alternativas aos defensivos químicos, mas que tornariam os custos de produção mais elevados. ?Mas que são possíveis de serem usados no cultivo de cana-de-açúcar em larga escala?, diz. Para exemplificar, ele menciona que a usina Triunfo, localizada em Boca da Mata já está produzindo cana-de-açúcar orgânica. ?Além de ter um maior valor agregado, já que o consumidor de orgânicos privilegia mais a qualidade dos alimentos do que de o preço, a cana-de-açúcar orgânica só é cortada crua ? abolindo a prática da queimada prejudicial a atmosfera e ao solo?, afirma. Entre as soluções ecologicamente corretas apontadas por Ramalho, estão o uso de adubos minerais provenientes das rochas que alimentam o solo de maneira mais natural e em harmonia com o meio ambiente. ?Inclusive no Estado há minas de microelementos, ricos em nutrientes, situadas em Belos Montes?, frisa, mostrando que os produtos eliminaria a necessidade de importar produtos químicos para este fim. Outro dado alarmante, segundo Ramalho, diz respeito ao limite de fronteira agrícola do Estado. Aqui, 89,02% das terras estão ocupadas com atividades agrícolas. ?Isto significa que temos certa saturação no uso das terras existentes, que não permitem uma expansão maior da agricultura local, mas também se supõe que o cultivo intensivo impede que se faça um descanso do solo para que ele recomponha naturalmente os seus nutrientes?, explica. Em termos de matas plantadas, Alagoas também desaponta. No Estado apenas 0,10% das terras são destinadas às reservas naturais. É o segundo pior indicador do Nordeste. No Piauí são 0,03%, enquanto que em Sergipe são 0,17% e no Rio Grande do Norte 0,14%.

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