Economia
Pa�s satisfaz China para ter acesso a mercados
O Brasil atendeu, ontem, à principal reivindicação do governo da China e atribuiu ao país o ?status de economia de mercado?. Com isso, o Brasil deve ter mais dificuldades para defender a indústria local dos produtos chineses. Em troca, o governo Lula exigiu uma série de garantias de acesso ao mercado chinês e de investimentos do país asiático em empresas brasileiras e em áreas estratégicas para o Brasil, como infra-estrutura. Entre os beneficiados, estão os produtores brasileiros de carne bovina, suína e de frango, além da Embraer. O reconhecimento da China como ?economia de mercado? foi feito durante a visita a Brasília do presidente da China, Hu Jintao, com a assinatura pelos dois países de um memorando de entendimentos sobre comércio e investimento. Como ?economia de mercado?, em tese a China poderá enfrentar menos salvaguardas e restrições comerciais do Brasil do que com seu status atual, de ?economia em transição?. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, apesar do reconhecimento, o Brasil não abriu mão dos instrumentos para agir na OMC (Organização Mundial do Comércio) e defender a sua economia. ?O Brasil não abriu mão das salvaguardas que tem, e não abriu mão da aplicação de regras anti-dumping dentro das condições normais. O Brasil também não abre mão das alíquotas de importação, onde os setores mais delicados têm tarifas mais elevadas?, disse Furlan. ?O presidente Hu Jintao leva do Brasil um reconhecimento político que não tira do governo brasileiro todos os instrumentos que tem, de acordo com as normas da OMC, para agir no caso de haver desvios graves ou concorrência desleal em algum setor específico?, disse Furlan. Ele afirmou que gostaria de tranqüilizar o setor produtivo brasileiro, pois essa concessão não faria com que o governo abra mão das defesas normais da economia que existem hoje. ?Inicialmente a posição chinesa era uma espécie de samba de uma nota só. Era, ?estamos vindo aqui para receber o status de economia de mercado e ponto?. A nossa posição é que, ou tínhamos um acordo equilibrado ou não tínhamos acordo. Conseguimos que houvesse toda a reciprocidade que foi pedida pelo governo brasileiro em troca desse reconhecimento?, disse Furlan.