Economia
Economia brasileira tem semana decisiva
A elevação do juro básico da economia pelo Comitê de Política Monetária (Copom) é o evento mais importante da semana, mas não o mais esperado. O mercado acredita que o colegiado do Banco Central (BC) vai confirmar a terceira alta consecutiva da Selic, ratificando o consenso de 17,25% ao ano até meados de dezembro. Na semana mais curta pelo feriado, as expectativas estarão concentradas de fato nos indicadores de comércio, emprego e salário de setembro que serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Grandes bancos e consultorias trabalham com a possibilidade de o comércio reafirmar a ?acomodação? da atividade, sinalizada pela produção industrial que ficou estável de agosto para setembro. Os dados de emprego e salário podem melhorar. Na semana, novas prévias de inflação em novembro serão anunciadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe). Elevações do IGP-M e do IPC-Fipe não justificarão surpresa ou implicarão mais ajuste dos juros futuros. O mercado encerrou a semana considerando a perspectiva de reversão na tendência de queda de preços dos produtos agrícolas e mais um aumento dos combustíveis pela Petrobras. Um salto na oferta de reais nas reservas bancárias também está ?contratado?. Após um mês de trégua, na quarta-feira, o Tesouro resgata cerca de 14,8 bilhões de reais de LFT (títulos indexados à Selic) e o BC honra uma operação de recompra de dívida e devolve aos bancos 11,25 bilhões de reais. Os bilhões de reais que ampliarão as reservas bancárias terão impacto neutralizado pela venda primária de novos títulos pelo Tesouro e pelas operações semanais do BC com o objetivo específico de controlar a liquidez. Efeito do juro real A MCM Consultores Associados - destaque no ranking das instituições Top 5 do BC pelo alto índice de acerto nas projeções de inflação, juro e câmbio no curto prazo - espera dois ajustes de Selic de 0,50 ponto percentual neste ano e não descarta avanço da taxa a 18% no começo de 2005. ?A política do BC dará certo. Acabará trazendo a projeção de inflação para baixo?, afirma José Júlio Senna, sócio-diretor da MCM e ex-diretor do BC. Ele calcula que, após cinco meses de aumento de Selic, o juro real estará em novo patamar, possivelmente em torno de 11,5% ao ano. ?Não precisa mais que isso para arrastar (para baixo) a inflação?, afirma. Alerta de Greenspan ?A economia está bem encaminhada?, diz Senna, que chama atenção para ?a virada excepcional das contas externas brasileiras nos últimos cinco anos. Todos os indicadores melhoraram muito, o que ajuda a reduzir o risco-país?. O cenário doméstico, na avaliação do ex-diretor do BC, não desperta necessidade de mudança. ?Riscos sempre existem, mas alguns são imprevisíveis. Este é o caso do petróleo?.