Economia
Pesquisas e financiamento de biodiesel avan�am em Alagoas
PATRYCIA MONTEIRO A verba não veio, mas está assegurada. É o que garante o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Williams Soares Batista, que viaja para Brasília na segunda-feira em busca dos recursos prometidos. São R$ 400 mil que deverão ser repassados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para investir no desenvolvimento tecnológico do biodiesel em Alagoas. ?Nosso projeto, que tem 24 meses para ser executado, está dividido em dois âmbitos: o tecnológico e o agrícola?, diz o secretário, advertindo que se o dinheiro para o desenvolvimento da tecnologia vem do governo federal, a contrapartida estadual vai direcionar R$ 250 mil para os projetos de cultivo. Segundo Batista, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fez um levantamento, delimitando uma área formada por nove municípios alagoanos onde o cultivo da mamona teria rentabilidade garantida: Água Branca, Estrela de Alagoas, Ibateguara, Mar Vermelho, Mata Grande, Palmeira dos Índios, Pariconha, Quebrangulo e Viçosa. ?Entretanto, gostaríamos de aumentar a área prevista para o cultivo pois o zoneamento ficou aquém das pretensões do Estado?, afirma, destacando que o biodiesel não é um modismo e sim uma necessidade premente. ?Queremos duplicar o número de municípios envolvidos e, para tanto, estamos verificando com o Embrapa uma flexibilização das fronteiras agrícolas delimitadas?. O empenho do secretário não é fortuito. Fora da extensão estabelecida pela instituição federal de pesquisa agrícola não haverá financiamento bancário oficial. A meta do secretário é implantar nos próximos oito meses uma fábrica laboratório para testar a performance do óleo de mamona alagoano acrescido no diesel. De acordo com Batista, um protocolo de intenções já foi assinado entre Alagoas e Sergipe para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas sobre biodiesel. ?Sergipe já tem uma unidade piloto voltada para o estudo da aplicação do óleo da mamona no biodiesel custeada com recursos do Banese (Banco do Estado de Sergipe)?, afirma. O secretário destaca o trabalho dos pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que vêm estudando o potencial da mamona. ?Tal qual se faz com a cana atualmente, pretendemos também promover o estudo do genoma da mamona?, menciona. Com a pesquisa genética da mamona, Batista diz que é possível tornar o vegetal mais resistente às intempéries climáticas da região nordestina, por exemplo. Com otimismo, o professor do departamento de engenharia química da Ufal, João Inácio Soletti diz que há boas perspectivas para a pesquisa da mamona no Estado. ?O estudo do biodiesel da mamona envolve seis doutores da universidade e, recentemente, recebemos R$ 50 mil a fundos perdidos do Banco do Nordeste para descobrir novos catalizadores para o óleo vegetal?, conta. Os catalizadores mencionados servem para dar eficiência à mistura entre o óleo extraído da oleaginosa e o diesel. Soletti diz que os estudos ainda estão muito incipientes em todo o Brasil e não acredita que a meta estabelecida pelo governo federal, de ter uma produção comercial de biodiesel até o final de 2005 seja de fato cumprida. ?Há muitos núcleos de pesquisa pelo Brasil afora, mas nenhum litro de biodiesel viável economicamente para ser comercializado ainda?, analisa o professor da Ufal.