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Federa��o teme concorr�ncia desleal da China

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São Paulo - O reconhecimento da China como economia de mercado pelo governo brasileiro pode transformar o atual superávit da balança comercial com este mais em um enorme déficit, segundo o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na última quarta-feira, ele criticou a decisão do governo de não aplicar salvaguardas e regras antidumping contra a República Popular da China. Os setores que mais temem uma concorrência desleal com produtos chineses são o de brinquedos, calçados e têxtil. ?Um ato político como este pode prejudicar as empresas brasileiras, mesmo que o governo garanta que não haverá prejuízo. A preocupação é que a China consiga vender ao Brasil produtos mais baratos?, afirmou Barbosa. Segundo ele, a Fiesp acompanha a decisão com preocupação, pois os países desenvolvidos não reconhecem o status de economia de mercado da China, enquanto o Brasil se antecipa na decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC) de dar esta condição à China apenas em 2016. ?Se o Brasil não se cuidar, as importações aumentam e a balança comercial se desequilibra?, disse ele. Quando for oficialmente reconhecida pela OMC como ?economia de mercado?, a China terá de seguir às normas do comércio mundial e possíveis pendências serão discutidas no âmbito da organização. Por enquanto, diz a Fiesp, a China não é obrigada a seguir essas regras, o que aumenta o risco de prática de dumping. No ano passado, o saldo da balança comercial entre Brasil e China foi favorável ao Brasil em US$ 2,4 bilhões, com exportações de US$ 4,5 bilhões e importações de US$ 2,1 bilhões. Nos primeiros oito meses deste ano o saldo comercial atinge US$ 1,7 bilhão, com exportações de US$ 3,9 bilhões e importações de US$ 2,2 bilhões. O volume atual, no entanto, é muito baixo diante do potencial de exportação da China para qualquer outro país do mundo. A China já exporta para os Estados Unidos, segundo Barbosa, o equivalente a US$ 142 bilhões por ano. Barbosa disse que a China se transformou, em curto espaço de tempo, no sexto maior exportador do mundo e que é preciso um período de transição para que este país se submeta às regras do comércio mundial. Na última sexta-feira, a Fiesp divulgou nota condenando a decisão do governo brasileiro e disse que a indústria de São Paulo e do Brasil foi colocada em posição de vulnerabilidade. Em maio deste ano, a entidade já havia manifestado, com a divulgação de estudos técnicos, preocupação com a concorrência desleal chinesa. De acordo com a Fiesp, a China é o país que tem o maior número de medidas de defesa comercial aplicadas a vários países do mundo.

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