Economia
Quais s�o os 10 maiores grupos familiares de AL?
PATRYCIA MONTEIRO Que a maior parte da riqueza de Alagoas é proveniente da cana-de-açúcar não é nenhuma novidade. Afinal, a maioria dos grupos empresariais com força econômica no Estado tem sua origem em usinas de cana-de-açúcar e continua nas mãos de alguns sobrenomes tradicionais. Mas, afinal, quais são os maiores grupos empresariais familiares de Alagoas? Para responder à pergunta acima, a equipe de reportagem da GAZETA procurou consultores, economistas, entidades de classe empresariais e empresários com o objetivo de estabelecer um ranking com os dez maiores grupos do setor produtivo local, ou seja: excluindo empresas cujos controladores não tenham origem no Estado ? como, por exemplo, a Braskem. Para chegar a essa lista, a GAZETA se baseou, principalmente, em informações do mercado e no patrimônio empresarial dos grupos ? já que nem sempre o faturamento declarado é fidedigno, como reconhece o próprio mercado. Sem surpresas, nove dos dez maiores grupos alagoanos têm riqueza calcada na produção de açúcar e álcool. Apenas um dos grupos do ranking destoa dos demais. É o Grupo Coringa, de Arapiraca, que, para não fugir do tom, encontrou no verde da cultura do fumo a origem de seu patrimônio. Em comum, todos esses grupos formam um conglomerado de empresas familiares e de capital fechado sem ações na Bolsa de Valores e com gestão familiar. Em muitos deles, pode-se observar a figura do patriarca como o principal líder das empresas. Embora a figura dos senhores de engenho tenha dado lugar à do empresário da agroindústria canavieira, pouco houve de diversificação no modo de produção local. Mesmo assim, há quem veja possíveis mudanças nesse quadro, em breve. ?Há dez anos o ranking teria apenas empreendedores do setor sucroalcooleiro?, diz o consultor paulista Renato Bernhoeft, uma das maiores autoridades nacionais sobre empresas familiares. ?Hoje, acredito que já haja abertura para que novos segmentos econômicos entrem nessa lista?. Para ele, o fato de todos os grandes grupos alagoanos serem familiares não é uma exceção ao resto do país. ?Grande parte das empresas nacionais tem como base a família, a exemplo da Gerdau, Sadia, Votorantim, Grupo Pão de Açúcar, para citar alguns?, enumera. Bernhoeft ressalta que ser uma empresa familiar não é, em si, uma condição empresarial positiva ou negativa. ?A empresa familiar tem apenas as suas particularidades, como as empresas públicas e as multinacionais?, analisa. O segredo, na opinião do especialista, está na necessidade de as novas gerações agregarem valor ao negócio. ?A demanda por liquidez numa empresa familiar cresce numa proporção muito maior do que o lucro?, adverte o consultor. Para chegar lá, Bernhoeft dá dicas. ?Os herdeiros devem pensar como acionistas, investidores. Devem buscar, inclusive, realização fora das empresas de suas famílias?, afirma, mencionando o cineasta Walter Moreira Salles, herdeiro do Unibanco, que buscou vocação fora dos negócios da família ? sem disputar, desnecessariamente, espaço com seu irmão Pedro. Segundo o consultor, a família controladora do grupo tem que ser bem preparada para ter uma visão a longo prazo do negócio ? caso contrário, corre o risco de seguir o clichê ?Pai rico, filho nobre, neto pobre?. Leia mais nas páginas A14 e A15