Economia
Bancos elevam juros na esteira do Copom
Os bancos elevaram a taxa média de juros cobrada de consumidores e empresas de 45,1% em setembro para 45,6% em outubro, segundo pesquisa mensal divulgada ontem pelo Banco Central. No mês passado, o Copom (Comitê de Política Monetária, do BC) intensificou o aumento da taxa básica de juros da economia brasileira (Selic), que serve de referência das taxas bancárias. Após elevar os juros em 0,25 ponto percentual em setembro, o BC aumentou a Selic em 0,5 ponto em outubro. Ambas as altas encarecem os custos de captação de recursos pelos bancos e isso acaba sendo repassado para o tomador final. Em novembro, o Copom voltou a elevar os juros em 0,5 ponto, para 17,25% ao ano. Os juros cobrados de pessoas jurídicas (empresas) foram os que mais cresceram em outubro, passando de 30,4% ao ano para 31,1%. Segundo o Banco Central, essa elevação foi causada pelo aumento nos juros de operações de crédito com juros prefixados e de empréstimos vinculados à variação cambial. Para a pessoa física, a taxa média ficou estável em 63,2% ao ano. A taxa média nos financiamentos para aquisição de bens ? com exceção de veículos ? subiu 0,8 ponto percentual no mês passado, para 61,4% ao ano, e no cheque especial, a alta foi de 0,5 ponto, para 141,1% ao ano. Esses dois aumentos foram compensados pela redução de 0,1 ponto no custo dos financiamentos para aquisição de veículos e no crédito pessoal, que em outubro registraram taxas médias de 35,6% ao ano e 73,8% ao ano, respectivamente. O spread bancário subiu pelo quarto mês seguido, chegando a 28,1 pontos percentuais em outubro, um aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. Spread bancário é a diferença entre o custo da captação para as instituições financeiras e a taxa cobrada por elas nos empréstimos a clientes. Na prática, representa o ganho bruto dos bancos com uma operação de crédito. O spread é mais elevado nas operações destinadas a pessoas físicas e está em 45,9 pontos. Para as pessoas jurídicas, é de 13,5 pontos. Para o chefe do Departamento Econômico do BC, ?não há razão nenhuma para a elevação do spread?. Segundo ele, isso não deveria ocorrer porque há uma queda na inadimplência. No mês passado, a taxa de inadimplência caiu de 7,5% em setembro para 7,2% em outubro.