Economia
Assentados torcem pela aquisi��o da Agrisa
Até a safra passada, a usina e destilaria Agrisa, do Grupo Jatobá, moeu. Mas, comenta-se no mercado, que ao transferir sua unidade industrial do município de Flexeiras para Joaquim Gomes - por razões políticas - o empresário se descuidou um pouco das questões do campo se dedicando mais às questões industriais. Assim, os movimentos dos sem-terra descobriram propriedades improdutivas que pertenciam ao grupo que foram desapropriadas pelo Incra. Desde então, várias de sua terras vêm sendo compradas pela instituição que já assentou oito comunidades e está negociando 23 novos terrenos distribuídos por três municípios: Flexeiras, Joaquim Gomes e São Luiz do Quitunde. ?No total são 20 mil hectares de terra, cujo valor negociado com o Incra gira em torno de R$ 54 milhões?, diz Gino César Meneses Paiva, superintendente do Incra. Negócio fechado mesmo foi feito em oito propriedades do Grupo Jatobá, onde foram feitos oito assentamentos que custaram à instituição cerca de R$ 13 milhões. Em breve, o Incra também vai fazer a aquisição do parque industrial Agrisa, com o intuito de reproduzir na região o modelo bem-sucedido da Cooperativa Pindorama. Os valores a serem negociados ainda são mantido sob sigilo. Segundo fontes do setor sulcroalcooleiro, que preferem não se identificar ? o empresário Nivaldo Jatobá pretende transferir seus investimentos de Alagoas para o Tocantins, entre outras razões, por causa da topografia e do clima favorável da região e dos incentivos fiscais oferecidos pelo governo do Estado de lá. ?Por isso, prefeitos e vereadores dos municípios têm intercedido com o Incra para que o parque industrial da Agrisa seja mantido no Estado, o que garantirá a permanência dos empregos na região?, diz o superintendente. Mas a idéia também anima os pequenos agricultores do assentamento Camaçari, localizado em Joaquim Gomes. Nele, 62 famílias plantaram 30 mil pés de laranjas, além de frutas como abacaxis, cocos, cajus e canas-de-açúcar. Há pouco, a comunidade ? que formou uma associação ? pleiteou recursos para construir uma agroindústria, mas teve seu pedido negado pelo banco. ?Mas com a usina poderemos conquistar o sonho de industrializar nossa produção?, conta o presidente da Associação de Camaçari, seu Amaro Anastácio. Mas enquanto o sonho não se concretiza, ele e a comunidade que lidera já vem fazendo bons negócios na região. Parte do que é cultivado é vendido em feiras dos municípios vizinhos e até na capital. Mas a cana deixada pelos Jatobá é comercializada pelos atravessadores com a usina Taquara. ?Estamos aqui há seis anos e esta foi a primeira vez que fechamos contrato com uma usina para venda de cana. Sei que se a Agrisa estivesse funcionando seria melhor, mas na semana passada apurei R$ 8 mil com a cana que eu tinha?, diz animado. Nada mal para quem trabalhou a vida toda para grandes fazendeiros de cana, sem carteira assinada e com remuneração mensal de um salário mínimo.