Economia
Pindorama ser� modelo para futura Agrisa
PATRYCIA MONTEIRO Há quem diga que pequena produção não combina com cultivo de cana-de-açúcar. Tolice. O exemplo da Cooperativa Pindorama está aí para provar que a combinação pode ser muito positiva. Idealizada no ano de 1958, por René Bertholet, um técnico agrícola nascido na Suíça, que vivia no Brasil desde 1949 e que trabalhava no Instituto Nacional de Imigração e Colonização, a Cooperativa enfrentou anos de incerteza até se estabelecer como um dos melhores exemplos de reforma agrária do país. Com objetivo de combater a migração do homem do campo para os grandes centros, o visionário suíço levantou recursos na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para adquirir as terras da antiga Companhia de Melhoramentos Marituba ? um projeto de um grupo paulista que pretendia instalar plantações de café, produzir farinha de araruta na região - situada entre os municípios de Coruripe, Feliz Deserto e Penedo. Até então, as terras da região eram extremamente desvalorizadas no mercado. As terras foram compradas e vários lotes de terra foram distribuídos em regime de colonato. Inicialmente, apenas frutas eram cultivadas na cooperativa que, no período entre 1961 e 1975, recebeu assistência técnica gratuita e as doações materiais e financeiras de grupos estrangeiros ? como alemães, suíços, holandeses e norte-americanos ? que viabilizaram o período de consolidação do projeto. Vale ressaltar que Pindorama também obteve financiamento em instituições financeiras oficiais como o Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil e Banco do Estado de Alagoas/Produban para ganhar impulso. Nessa fase, 450 colonos cultivavam produtos como maracujá, abacaxi, coco, mandioca e feijão. Apesar da proximidade com as usinas Coruripe e Seresta, a cana-de-açúcar, em 1974, ainda não tinha nenhuma expressão no conjunto das culturas locais. Com fim dos recursos estrangeiros, surgiu a necessidade de manter viabilidade econômica da Cooperativa. O caminho foi partir para a diversificação de atividades e a consolidação do projeto agroindustrial que coincidiu com o advento do Proálcool ? programa governamental que estimulava produção de álcool para diversificar matriz energética do País. Assim, em 1976, o Instituto do Álcool e Açúcar (IAA) aprovou a construção de uma destilaria em Pindorama com recursos do Banco Nacional de Crédito Cooperativo. A partir daí, a cana-de-açúcar ganhou a força que tem na Cooperativa atualmente. ?Nossa produção de cana vem crescendo a cada ano?, celebra Klécio José Santos, diretor-presidente da Cooperativa Pindorama. ?Na safra de 2003/2004, produzimos 650 mil toneladas de cana, 600 mil sacas de açúcar e 34 milhões de litros de álcool. Nossa estimativa para esta safra é de produzir 850 mil toneladas de cana, mais 1 milhão de sacas de açúcar e 38 milhões de litros de álcool?, completa. E esse aumento geral de produção se reflete nos resultados financeiros da cooperativa. Em 2003, a Pindorama faturou R$ 52 milhões. Este ano, estima R$ 70 milhões de faturamento. ?E o melhor, nossos lucros são divididos entre os cooperados, de acordo com a produção relativa de cada um?, diz, mencionando que boa parte dos recursos também é direcionada para a manutenção dos parques industriais ? além da destilaria, Pindorama também tem fábrica de sucos ? e para aplicação de novos investimentos, como a fábrica de açúcar que custou R$ 13 milhões em recursos próprios. Segundo Klécio Santos, a renda média de um cooperado gira em torno dos R$ 25 mil anuais, ou seja, cerca de R$ 2 mil por mês. ?Aqui foi promovida uma verdadeira distribuição de renda. Em Pindorama não há mendigos ou crianças de ruas?, afirma. Vale ressaltar que cerca de 27 mil pessoas vivem na região formada pelas 25 comunidades de Pindorama. Mas nem todos são proprietários de terras. No total são 1.600. A Cooperativa gera cerca de 1.800 empregos no campo e 300 na indústria - sendo 100 apenas na nova usina. A área total de Pindorama compreende 32 mil hectares distribuídos por 1.386 lotes de terra.