Economia
Trocando o com�rcio da feirinha pela Bolsa de NY
PATRYCIA MONTEIRO Com o açúcar em alta no mercado internacional e o consumo de álcool em plena ascensão no mercado interno, este ano houve uma disputa pela cana-de-açúcar disponível no Estado. Neste contexto, muitos são os que compram a gramínea dos assentados, mas poucos são os que gostam de tocar no assunto. Segundo o Incra e os próprios agricultores, compram cana dos antigos sem-terra as usinas Santa Clotilde e Cachoeira, Taquara e a Santo Antônio. Aberto a discutir o assunto, o empresário José Carlos Maranhão, líder do grupo a que pertence a Santo Antônio, diz que só não compra mais cana dos assentamentos por falta de oportunidade. ?Temos interesse na matéria-prima e eles são fontes de suprimento. Simples assim?, descreve. Na opinião dele, uma possível parceria entre o setor sucroalcooleiro e o movimento dos sem terra poderia ser interessante para ambas as partes. ?Produzindo cana, os assentados extrapolam o mercado da feirinha e passam a negociar um produto que está diretamente conectado com a Bolsa de Nova York?, analisa. Para ele, qualquer ideologia perde o sentido quando o pequeno produtor descobre que a cana pode ser bem mais lucrativa do que uma série de produtos agrícolas como milho e feijão, por exemplo. De fato, segundo Hibernon Cavalcante, diretor da Secretaria de Agricultura do Estado, a cana tem mercado garantido. ?Mesmo nos anos ruins não sobra cana para quem quer?, diz. De acordo com o agrônomo, produtos como mandioca, feijão e milho são muito mais suscetíveis às oscilações de mercado do que a gramínea. ?Para comercializar a cana nem precisa ser um bom negociador, já que o seu preço de compra é o mesmo em qualquer agroindústria?, afirma.