Economia
Cana-de-a��car cresce na agricultura familiar de AL
PATRYCIA MONTEIRO Quando se pensa em agricultura familiar, logo se vem em mente a idéia do cultivo de hortifruti orgânicos produzidos em assentamentos do movimento sem terra ? já que esta é uma tendência agrícola recente que tem trazido valor agregado à produção dos pequenos agricultores. Mas, em Alagoas, talvez a imagem da agricultura familiar ganhe outros contornos no imaginário popular daqui para frente. No Estado que é o maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, a gramínea anda ganhando cada vez mais espaço no seio da agricultura familiar local. Um dos principais fatores que tem contribuído para que isso aconteça são as mais recentes desapropriações de terras feitas em Alagoas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Aqui, todos os lotes distribuídos e em negociação na região dos municípios de Flexeiras, Joaquim Gomes e São Luiz do Quitunde têm transformado os sem-terra em fornecedores de cana da região. Tudo porque as áreas desapropriadas pertenciam a Nivaldo Jatobá, reconhecido empresário da agroindústria canavieira alagoana. A cana-de-açúcar plantada fica como legado para os novos donos das terras. Mas, mesmo tendo mercado e bons preços garantidos, a presença da gramínea está longe de ser uma unanimidade nos assentamentos do Estado e até fora deles. ?A cana-de-açúcar é um símbolo de opressão para muitos movimentos sociais que atuam em Alagoas?, diz Gino César Meneses Paiva, superintendente do Incra. Por outro lado, poucos são os empresários que se sentem à vontade para admitir que compram cana desses novos fornecedores. ?Ao adquirir as terras, o Incra também compra as canas plantadas nas propriedades que têm valor de mercado. Arrancar a cana e fazer outro cultivo apenas em nome da ideologia seria um ato semelhante ao de rasgar dinheiro?, compara Paiva, mencionando que mesmo movimentos que antes eram mais intolerantes a cana-de-açúcar nos assentamentos, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), atualmente têm moderado os discursos e se mostrado mais abertos à discussão. Em meio a polêmica, outra novidade vai contribuir para atenuar a simbologia da cana relacionada ao latifúndio e aos grandes produtores. Nas antigas terras da família Jatobá há ainda um outro legado que gera muita expectativa na região. É o parque industrial da Agrisa, uma usina que também é destilaria, que também está sendo negociada à aquisição com o Incra. Em breve, os assentados daqueles municípios também vão virar usineiros, assim como fizeram os ex-sem-terra da Cooperativa Pindorama, a pioneira no cultivo de cana na agricultura familiar do País.