Economia
PIB do pa�s tem melhor resultado em oito anos
A economia brasileira cresceu 6,1% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do melhor resultado desde o terceiro trimestre de 1996. Nos nove primeiros meses deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) acumula expansão de 5,3% sobre o mesmo período de 2003. O resultado supera o do segundo trimestre, quando a economia registrou expansão de 5,7% na mesma base de comparação. Analistas esperavam uma alta entre 5,6% e 7% no terceiro trimestre deste ano. Na comparação com o segundo trimestre, a economia cresceu 1%. Ou seja, menos que a expansão de 1,5% do segundo trimestre em relação ao primeiro. A desaceleração deve-se ao setor agropecuário, que amargou retração de 3,6% no terceiro trimestre. Na outra ponta, a indústria puxou o crescimento da economia, com expansão de 2,8%. De forma geral, os bons resultados da economia brasileira refletem o desempenho favorável de indicadores como emprego, indústria e salários. Entretanto, alguns indicadores já começam a se tornar foco de preocupação, como a retomada da trajetória de alta dos juros. A taxa básica já subiu 1,25 ponto percentual desde setembro e a expectativa de analistas continua a ser de novos aumentos. Crédito caro dificulta o chamado investimento na economia real e encarece os custos para o empresariado. Com isso, a criação de vagas diminui e o ciclo de expansão tende a reduzir-se. Analistas, no entanto, ainda classificam a postura adotada pelo Banco Central como puramente cautelosa. Segundo Estevão Kopschit, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o remédio adotado para conter a inflação ainda não foi suficiente para afetar a perspectiva de crescimento no ano. ?Só conseguiria isso se fizesse uma puxada muito grande na taxa de juros?, disse. Na avaliação do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a economia brasileira mostrou maior capacidade de recuperação apesar das medidas duras tomadas pelo governo no ano passado ? os juros, por exemplo, chegaram a 26,5% ao ano em 2003. ?O custo do grande ajuste que nós fizemos em 2003 foi menor que o previsto. O Brasil mostrou uma economia muito vigorosa, capaz de fazer um ajuste dessas proporções sem perda de PIB?, disse o ministro. Palocci também afirmou que isso significa que a economia brasileira está crescendo em 2004 sobre uma base maior.