Economia
BC anuncia capta��o e derruba pre�o do d�lar
O mercado testou o nível dos R$ 2,69 após o governo confirmar a notícia mais esperada das últimas semanas: a captação de recursos no exterior. O dólar abaixo dos R$ 2,70 é uma façanha inédita desde 17 de junho de 2002, antes da chamada tensão ?pré-eleitoral?, quando a moeda americana fechou em R$ 2,664 para venda. As mesas de câmbio negociaram a esse preço por pelo menos meia hora ontem, quando finalmente o dólar saiu da mínima do dia até fechar a R$ 2,709 (valor de venda), o que representa uma queda de 0,87% sobre a taxa de ontem, ainda na menor cotação desde os R$ 2,707 de 19 de junho de 2002. No ano, o câmbio acumula desvalorização de 6,65%. Os profissionais do mercado de câmbio aguardavam há semanas o retorno da República ao mercado internacional. Uma série de operações privadas antecipavam a captação soberana. No último dia 19, o banco Votorantim fez a emissão pioneira, ao captar US$ 75 milhões por meio de bônus em reais e a taxas pré-fixadas. A demanda (US$ 75 milhões) maior que a oferta inicial (US$ 50 milhões) sinalizou que havia demanda por ativos denominados em moeda brasileira e outras operações se seguiram, lideradas por alguns dos maiores bancos privados do país. O que as tesourarias das instituições financeiras não esperavam foi a operação em dólares. O Tesouro Nacional, quando anunciou a programação de compras de US$ 3 bilhões, havia confirmado que estudava uma operação em reais. Como demorou a divulgar novidades, o mercado considerava a emissão postergada para o início de 2005. ?A reabertura dos bônus de 2004 foi uma surpresa e não estava no preço do dólar?, afirma Flávio Farah, vice-presidente executivo de tesouraria do banco alemão WestLB. A moeda americana operou em baixa pela manhã, influenciada pontualmente pelos dados da economia americana, que mostraram um mercado local de trabalho desacelerado - a geração de postos de trabalho (112 mil) ficou muito abaixo do esperado (200 mil) e pegou de surpresa investidores e gestores. Sem pressão pelo lado do consumo, e sem motivos para esperar ajustes mais drásticos da política monetária dos EUA, o mercado de câmbio começou a ajustar novamente o preço do dólar. A taxa entre dólar e euro atingiu a nova cotação histórica de US$ 1,3387 no início tarde, mas progressivamente foi superando a marca, até o pico de US$ 1,3442, a máxima do dia. Nos últimos negócios desta sexta-feira, a taxa entre as duas moedas fechou a US$ 1,3427. As instituições financeiras já trabalham com a cotação de US$ 1,35 como um alvo real. No início da tarde de ontem, sob influência da desvalorização internacional do dólar, a taxa brasileira de câmbio operava nos valores mínimos do dia, a R$ 2,70. O anúncio do Banco Central foi a senha para que o preço da moeda finalmente rompesse esse ?piso? para a nova cotação mínima do dia, a R$ 2,69. O BC informou sumariamente a contração dos bancos estrangeiros JP Morgan e Morgan Stanley para liderarem uma nova operação de captação de dólares no mercado global, estimada à princípio em US$ 500 milhões. Em meio às notícias sobre a operação soberana, três grandes bancos fecharam suas operações. O ABN Amro (Real) conclui uma emissão de R$ 150 milhões, com prazo de três anos, à taxa de 17,90%, para uma demanda de R$ 230 milhões. De acordo com informações do mercado, outros dois bancos também finalizaram suas operações: Bradesco (US$ 100 milhões, por três anos, a 17,61%) e Unibanco (US$ 75 milhões, por 18 meses, a 17,90%). Para João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer, o volume de captações em reais indica que os investidores estrangeiros não apostam numa desvalorização do dólar no curto prazo. ?[A taxa de] R$ 2,69 ainda não é o piso e pode cair mais?, afirma ele. Medeiros destaca que algumas empresas começaram a cotar preço num possível movimento de pagamentos antecipados de compromissos em moeda estrangeira para aproveitar a taxa cambial.