Economia
Servi�os financeiros elevam lucro do varejo
Boa parte do lucro das grandes redes de varejo no país não está vindo da atividade-fim, como a venda para o consumidor de fogões, geladeiras, móveis e tantos outros bens eletroeletrônicos. Pesquisa da consultoria gaúcha Shopping Brasil, realizada com as 27 maiores redes nacionais, revela uma importância cada vez maior de serviços financeiros de todo tipo para a obtenção do resultado - por exemplo, comercialização de seguros, pagamento de contas, planos de saúde, empréstimos pessoais e concessão de crédito para os mais variados propósitos, algo há alguns anos restrito aos bancos. ?Esta é a maior revolução do setor nos últimos anos. Como o lucro operacional do varejo tem margens muito esmagadas, foi preciso buscar novas alternativas?, explica o sócio-diretor da Shopping Brasil, José Roberto Resende. Resende cita o caso da Lojas Arno, que em 2003 teve 30% de seu lucro proveniente de serviços financeiros. ?E ainda não tinha o LuizaCred por trás?, lembra ele, referindo-se à financeira da Magazine Luiza criada a partir da associação com o Unibanco e à aquisição da gaúcha Arno pela rede paulista este ano. No caso do Pão de Açúcar, diz Resende, o lucro gerado com serviços financeiros atinge 20% do total. ?Existem números acima disso. E a tendência é aumentar?. Fidelidade Além de elevar o lucro com baixo investimento, a disponibilidade deste tipo de serviço, entende ele, eleva o grau de fidelidade do cliente, reduz a inadimplência e traz disponibilidade de capital de giro para o negócio. O diretor-executivo da Casas Bahia, Michael Klein, disse na última quarta-feira em Porto Alegre que a empresa irá acelerar o ritmo de expansão em virtude da parceria para concessão de crédito assinado com a financeira Finasa, pertencente ao Bradesco. Segundo Resende, o fenômeno da associação das redes de varejo com as instituições financeiras observado de maneira muito forte especialmente a partir do segundo semestre de 2004 tem como meta alcançar a população das classes C, D e E, uma parcela desassistida pelos bancos tradicionais. ?Existe uma população imensa que tem medo de entrar em uma agência bancária e sonha, por exemplo, ter um cartão de crédito. Esse consumidor vê banco como algo distante, voltado para a elite, enquanto a loja é o local onde ele realiza o sonho de consumo?, analisa. Para ilustrar esta situação, cita dados da Associação Brasileira das Administradoras de Cartão de Crédito. A entidade apurou que existem hoje no mercado 54 milhões de cartões de crédito fornecidos pelas lojas, número superior aos 47,5 milhões das administradoras tradicionais. ?Pesados ágios? Resende diz que o interesse do sistema financeiro em alianças com varejo é tal que os bancos pagam ?pesados ágios? para ter acesso à carteira de clientes das redes. O Itaú, cita, precisou desembolsar R$ 380 milhões pela carteira do Grupo Pão de Açúcar. Já o Unibanco chegou a pagar ao Bompreço US$ 200 milhões pela administradora de cartões Hipercard. ?E o Bompreço foi comprado recentemente pelo Wal-Mart por US$ 300 milhões?, ressalta ele, demonstrando a proximidade das cifras. Entre as tendências apontadas por Resende, está a adoção desses serviços também pelo pequeno e médio varejo. Outras: simplificação de produtos e serviços, maior disponibilidade de crédito e, conseqüentemente, redução nas taxas de juros. Mas ressalva: é necessário conhecimento maior dos serviços por parte dos vendedores.