Economia
Proje��es do BC para 2005 s�o animadoras
Atividade e inflação dominam a agenda da semana que precede a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2004. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulga, nesta segunda-feira, o desempenho do setor em novembro. Na quinta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta a pesquisa de produção industrial de outubro. Os dois dados de atividade geram expectativa, mas o mercado financeiro ainda está anestesiado pelo positivo resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que avançou 1% sobre o segundo trimestre deste ano e 6,1% ante o mesmo trimestre de 2003. A inflação será o principal foco de atenção, porque bancos, corretoras e consultorias querem checar a consistência da queda da projeção mediana do IPCA para 2005 ? que recuou de 5,90 para 5,80% na pesquisa feita pelo Banco Central (BC) com 100 instituições e apresentada no relatório Focus da última segunda-feira. O IPCA fechado de novembro sai na quarta-feira e as primeiras prévias do IGP-M e do IPC-Fipe de dezembro serão anunciadas, respectivamente, na quarta e na sexta-feira. ?Fiquei surpreso com a rapidez com que a projeção mediana de inflação para 2005 caiu, ante a estabilidade da projeção média de mercado?, afirma o especialista em preços da Fides Asset Management, Elson Telles. Acomodação A possibilidade é de declínio da expectativa média do IPCA de 2005 no Focus dessa primeira segunda-feira de dezembro, explica Telles, que atribuiu a (antecipada) redução da mediana ?à distribuição das reavaliações dos dados por algumas instituições?. ?A perspectiva é de estabilidade em torno de 5,80% das projeções por algum tempo e não novas baixas. O momento é de acomodação, apesar da melhora de alguns fatores de risco para a inflação como o preço internacional do petróleo?. A queda forte do petróleo no exterior ? acima de 23% desde o recorde em 25 de outubro, a US$ 55,67 em Nova York ? influencia as avaliações qualitativas de inflação, reconhece o economista, que alerta para o fato de o Copom começar a apresentar hipóteses desagregadas para o comportamento dos preços administrados em 2005. ?Na próxima ata do Copom ? a última do ano ? o BC deve apresentar projeções para reajuste de combustíveis e tarifas de serviços públicos, exatamente porque esses preços não são afetados pela política monetária. O impacto dos juros incide sobre os preços livres?. O dólar em queda forte no mercado doméstico, seguindo a tendência internacional, influencia as estimativas de inflação em termos quantitativos, lembra Telles, porque a taxa de câmbio é componente dos modelos econométricos que calculam a inflação. O economista reconhece, porém, que estimativa de dólar entre R$ 2,75 e R$ 2,80 para os próximos meses, cenário favorável ao petróleo e Selic maior podem reduzir a projeção de inflação do próprio BC para o ano que vem.