Economia
Falta de cont�ineres e navios ser� prolongada
A falta de contêiner e navios para exportar os produtos brasileiros deve continuar até o fim de 2005. O problema vem sendo sentido pelos exportadores nacionais desde o início de 2004, quando houve a explosão de exportações de produtos de todo o mundo para a China e outros tigres asiáticos. Em conseqüência, os setores que estavam começando a exportar no Brasil acabaram sem navios e contêineres para levar suas mercadorias. ?A rota da Ásia está muito atrativa. Lá, ao contrário daqui, os navios chegam e saem lotados. Já no Brasil, como o nível das nossas importações está em baixa, os nossos navios chegam vazios. Isso faz com que os armadores prefiram mandar seus equipamentos para a rota asiática, da Europa e dos Estados Unidos?, explicou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Cerâmica, Antonio Carlos Kieling. Além da cerâmica brasileira, que estava conquistando mais mercados quando foi atingida pela crise de falta de transporte, granito e fumo passam pelo mesmo problema. ?Um em cada quatro contêineres saídos do Brasil é de fumo. Com o boom do mercado chinês, houve o deslocamento de navios e contêineres para lá?, informou o presidente do Sindicato da Indústria do Fumo, Claudio Heinn. O fumo brasileiro estava em plena expansão de mercado quando foi assolado pela crise. O produto estava conquistando o lugar dos seus principais concorrentes, Estados Unidos e Zimbabue, no mercado internacional. O primeiro país perdia produção devido ao custo elevado da sua mão-de-obra e o segundo, que havia passado por uma reforma agrária, acabou desestabilizando sua produção. Para se ter idéia, o Zimbabue, que produzia cerca de 230 mil toneladas/ano, reduziu o volume para 60 mil toneladas/ano aproximadamente. Já os Estados Unidos reduziram o volume de produção de 800 mil toneladas/ano para 400 mil toneladas/ano, estabilizando neste patamar. A preocupação do setor do fumo é que a oferta de transporte seja logo revitalizada, pois não há, neste momento, países com produto de boa qualidade e tecnologia para competir com o Brasil. ?Países vizinhos ao Zimbabue, como Uganda, Tanzânia e Moçambique, estão ampliando a plantação de fumo, mas ainda em pequena proporção. Eram 8 mil toneladas/ano e hoje produzem 22 mil toneladas/ano. Acreditamos que em 2005 chegue a 80 mil toneladas/ano. Os fazendeiros brancos expulsos do Zimbabue com a reforma agrária se recolocaram nestes países?, explicou Heinn. Já os produtores de cerâmica executavam o plano de intensificar as atividades exportadoras quando iniciou a crise de contêineres e navios. Há quatro anos, 38 milhões de metros eram exportados. Hoje esse volume é de 140 milhões de metros. O objetivo é chegar a 200 milhões de metros exportados nos próximos três anos. ?Foi uma ação planejada que envolveu várias ações, como a implantação do sistema de IS0 9000 em praticamente todo os fabricantes de cerâmica brasileira, a criação de um centro de certificação do nosso produto para adequá-lo às exigências internacionais e investimentos no nosso parque industrial?, informou Kieling.