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PATRYCIA MONTEIRO Engana-se quem pensa que o petróleo existente em Alagoas não é de boa qualidade. Ao contrário. No Estado, todo o óleo encontrado é do tipo leve, que tem alto valor de mercado. Com petróleo leve podem ser industrializados produtos mais nobres, como gasolina e nafta. No caso do petróleo pesado, que custa menos, podem ser produzidos graxa e asfalto. ?Atualmente, de Alagoas são extraídos 7,6 mil barris de petróleo por dia. Com a nova jazida teremos uma média diária de produção de mais 4 mil barris. Isto significa um incremento de 60%?, afirma Luiz Paulo Araújo, gerente de Construção e Montagem da Petrobras em Alagoas. Esse aumento de produção trará, também, um aumento no pagamento dos royalties de petróleo repassados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) ? órgão regulador do setor de combustíveis do país ?, que paga mensalmente aos estados e municípios produtores um percentual pela exploração da matéria-prima. A jazida recém descoberta beneficiará com mais repasses de royalties o município de São Miguel dos Campo e o governo do Estado. Esse percentual varia de acordo com o volume de produção de cada cidade. Em Alagoas, 52 municípios recebem recursos financeiros por conta da exploração local de petróleo. Nem todos são necessariamente produtores de petróleo. Alguns são beneficiados por estarem em regiões circunvizinhas. Mas as cidades mais bem remuneradas com a exploração local são Coruripe, Marechal Deodoro, Pilar e São Miguel dos Campos ? porque também são as maiores produtoras do Estado. ?Entretanto, o que se observa é que a extração do petróleo em Alagoas não tem muito peso na atividade econômica local, a não ser nas finanças dos municípios e do governo do Estado?, diz o engenheiro Geoberto Espírito Santo, consultor alagoano do ramo de energia. ?A instalação de uma refinaria poderia promover uma dinâmica maior?, sugere. De fato, na balança comercial dos produtores de petróleo do Nordeste ? Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Ceará e Alagoas ? apenas dois exportam derivados de petróleo: os estados baiano e potiguar. Todo o petróleo produzido em Alagoas é levado para a Bahia, onde está localizada a Refinaria Landulfo Alves. De acordo com Luiz Paulo Araújo, gerente de Construção e Montagem da Petrobras, não cabe à estatal a decisão de criar novas refinarias pelo país. ?A palavra final é da União?, afirma. Para empreitadas futuras, o governo federal pretende contar com parcerias públicas ou empresariais. Segundo ele, a Petrobras não se pronuncia sobre novos projetos de refinarias de petróleo. Entretanto, ele sinaliza que a escolha dos locais de instalação desse tipo de unidade industrial deve levar em consideração questões de mercado, como volume de produção e o mercado consumidor local. Na visão do gerente da Petrobras, o petróleo só não tem a mesma força que o setor sucroalcooleiro no Estado porque a produção alagoana é pequena. Só a título de esclarecimento, Alagoas é o nono no ranking dos dez estados produtores de petróleo. Na frente estão Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Bahia, Amazonas, Sergipe, Espírito Santo, Ceará e Paraná. Alagoas só está à frente de São Paulo.

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